Quatro Rodas

VW Kombi Cabine Dupla levava seis e inovou entre as picapes leves

VW Kombi Cabine Dupla levava seis e inovou entre as picapes leves

A década de 1980 consolidou um segmento presente desde o início da indústria automotiva nacional: as picapes de cabine dupla. O nicho era dominado por empresas transformadoras, que utilizavam as picapes grandes da Ford e da Chevrolet como base para as modificações estruturais.

Existiam exceções desenvolvidas a partir de furgões, aproveitando a seção frontal de monovolumes. A Gurgel G-800, derivada do elétrico Itaipu E-400, e a Fly, baseada na Poá Caravelle com mecânica Ford, seguiram esse conceito. De fábrica, havia apenas um modelo de série: a VW Kombi Cabine Dupla, lançada em 1981.

Além da caçamba, havia sob o banco traseiro um bom espaço para bagagens escondidas dos curiososChristian Castanho/Quatro Rodas

O modelo ampliava a capacidade de transporte da versão picape de cabine simples, conhecida como Cabrita, oferecida no mercado desde 1967. Com espaço para seis ocupantes e caçamba para carga, a Kombi Cabine Dupla atendia tanto ao uso comercial quanto aos momentos de lazer.

O acesso ao banco traseiro era feito por uma única porta localizada no lado direito. A solução de assimetria nas portas repetia o projeto da antiga Chevrolet Amazona e antecipava em três décadas o conceito que seria visto no Hyundai Veloster.

Caçamba tinha 3 metros, mas pouca profundidade por ficar acima do motorChristian Castanho/Quatro Rodas

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A VW Kombi Cabine Dupla introduziu novidades técnicas na linha. O motor 1.6 estava disponível desde 1975, mas a linha 1981 marcou a estreia da versão a diesel, identificada pela grade do radiador proeminente na dianteira. O propulsor representava a única opção da marca com refrigeração a água na época.

Para os passageiros do banco traseiro, a ergonomia era restrita pela divisória metálica localizada atrás do encosto dianteiro, que reduzia consideravelmente o espaço para as pernas.

A saliência do estepe, atrás do encosto do banco dianteiro, limitava ainda mais o espaço traseiroChristian Castanho/Quatro Rodas

Em janeiro de 1982, QUATRO RODAS avaliou a versão a diesel e destacou o baixo consumo do motor. A reportagem registrou médias de 15,23 km/l no ciclo urbano rodando sem carga. Na estrada, a 80 km/h reais, o modelo alcançou 15,52 km/l vazio e 13,65 km/l carregado com 1 tonelada.

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A versão com motor a álcool estreou em 1982. No ano seguinte, a Kombi recebeu alterações no painel e um novo volante. O freio de estacionamento foi reposicionado do assoalho para a parte inferior do painel. A lista de atualizações também incluiu cintos de segurança de três pontos e freios a disco no eixo dianteiro.

Bancos de veludo e ar quente eram itens da versão de exportaçãoChristian Castanho/Quatro Rodas

QUATRO RODAS testou a configuração a álcool, que se tornou a líder de vendas, em julho de 1983. O desempenho indicou forte evolução em relação aos modelos anteriores. O consumo médio ficou em 5,61 km/l na cidade e 7,07 km/l em trechos rodoviários, levando 1 tonelada de carga.

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O conforto apresentou melhorias com a adoção do volante em posição mais vertical, amenizando a semelhança com a condução de veículos pesados. O apoio de cabeça figurava como item opcional. O projeto ainda carecia de ajuste de inclinação no encosto do banco e de uma alavanca de câmbio mais alta para otimizar a posição de dirigir.

Na dianteira, dois bancos e espaço para três passageirosChristian Castanho/Quatro Rodas

O exemplar das fotos, fabricado em 1984 com motor a álcool, foi adquirido zero-quilômetro pelo pai do proprietário atual. Trata-se de uma unidade de exportação, equipada com carpete, bancos de veludo, encostos de cabeça, ar quente e pintura saia e blusa.

O atual dono relata que o veículo foi utilizado por um ano para viagens ao sítio da família e à praia, frequentemente transportando uma motocicleta na caçamba. Após registrar 35.000 km, a Kombi permaneceu parada por uma década. Desde então, rodou apenas 5.000 km adicionais.

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Motor a álcool de 68 cv fazia 5,6 km/l na cidade, com carga]Christian Castanho/Quatro Rodas

A aposentadoria desta unidade ocorreu no mesmo período em que a Volkswagen encerrou a produção das versões a diesel e de cabine dupla, em 1985.

Teste QUATRO RODAS – julho de 1983

Aceleração 0 a 100 km/h: 32,79 s

Velocidade máxima: 119,601 km/h

Frenagem 80 km/h a 0: 32,83 m

Consumo: 5,61 km/l (urbano), 7,07 km/l (rodoviário, carga total), 7,70 km/l (rodoviário, vazio)

Preço (junho de 1983): R$ 3.823.041

Atualizado (INPC / IBGE): R$ 114.055

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Ficha Técnica – VW Kombi Cabine Dupla 1983

Motor: traseiro, 4 cilindros contrapostos 2 a 2, horizontal, 1.584 cm³, 2 carburadores de corpo simples, refrigeração a ar, a álcool

Diâmetro x curso: 85,5 x 69,0 mm

Taxa de compressão: 10,0:1

Potência: 68 cv a 4.800 rpm

Torque: 12,5 mkgf a 2.800 rpm

Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira

Dimensões: comprimento, 444 cm; largura, 175 cm; altura, 193 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, 1.185 kg

Suspensão: Dianteira: independente, barras de torção em feixe, barra estabilizadora. Traseira: independente, barras de torção cilíndricas

Freios: disco na dianteira, tambor na traseira

Rodas e pneus: aço, 5,5 x 14; pneus 7,35 x 14

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Leia a materia completa na fonte original:

Ver no Quatro Rodas

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