Quatro Rodas

Teste: Geely EX2 Pro é o elétrico de R$ 120.000 com porte de T-Cross e alma de Volvo

Teste: Geely EX2 Pro é o elétrico de R$ 120.000 com porte de T-Cross e alma de Volvo

Talvez o maior desafio para uma fabricante chinesa, hoje, seja fabricar um carro básico. Veja pelo Geely EX2 Pro, que é a versão de entrada do hatch compacto elétrico que custa R$ 119.990. Era para ser básico, mas tem faróis e lanternas full-led, antena shark, bancos de vinil e chave presencial.

Não é uma reclamação, é bom que o carro entregue tudo isso em uma versão básica. Talvez estejamos acostumados com pouco, porque outros hatches compactos, mesmo aqueles a combustão, restringem estes equipamentos às suas configurações mais caras, que custam bem mais que R$ 120.000.

Este hatch da Geely ainda tem quadro de instrumentos digital, central multimídia de 14.6″, bancos de vinil, 6 airbags e freio de estacionamento eletrônico com auto-hold. O que realmente evidencia ser mais básico são as rodas de aço aro 15″ com calotas (horríveis, por sinal), mas só isso.

Na verdade, há outros cortes na lista de equipamentos na comparação com o EX2 Max, que custa R$ 135.990 e tem rodas de liga leve aro 16″, mas são menos evidentes. Seu console é revestido de material macio e há uma gaveta no lugar do porta-luvas, além de luz ambiente e uma base de carregamento sem fio no console – que evita um barulho oco notado na versão Pro.

Fernando Pires/Quatro Rodas

Mais atentos ainda perceberão que a versão Pro tem alto-falantes apenas na dianteira. Até há um detalhe cromado na área dos alto-falantes traseiros, mas ali dentro só tem silêncio.

O EX2 Max também tem uma pintura bitom, mas o que faz diferença no pacote dele é a frenagem de emergência, o piloto automático adaptativo (ACC), alerta de mudança de faixa (LDW), frenagem automática de emergência (AEB), farol alto automático e câmeras de visão 360°. A versão Pro só tem câmera de ré e sensores de ré.

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Hatch compacto? Certeza

Versão Pro não tem acabamento macio no consoleFernando Pires/Quatro Rodas

O design simpático engana. Chamar o Geely EX2 de hatch compacto é um erro, porque ele tem praticamente o mesmo tamanho de um Volkswagen T-Cross. São 4,13 de comprimento, 1,80 m de largura, 1,58 m de altura e um entre-eixos de 2,65 m. Na verdade, o EX2 é 4 cm mais curto e 4 cm mais largo. Se por um lado ele tem molduras nas caixas de roda, por outro a altura livre do solo de 16 cm é insuficiente para um SUV, é medida de hatch.

Entre os elétricos, o Geely EX2 está mais próximo dos GWM Ora 03 (R$ 154.000) e BYD Dolphin GS (R$ 149.990). No entanto, seu preço é de BYD Dolphin Mini (R$ 118.990), que é bem menor.

Versão básica não tem comandos do piloto automático, porque o carro simplesmente não tem essa funçãoFernando Pires/Quatro Rodas

Quadro de instrumentos até mostra o carro, mas não tem indicações de sistemas de segurançaFernando Pires/Quatro Rodas

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Se o porte do EX2 é o mesmo de um T-Cross, a capacidade do porta-malas é praticamente igual. São 375 litros no Geely e 373 litros no VW, sendo que o elétrico ainda tem um porta-malas dianteiro de 70 litros. Como ali na frente só há sistemas de direção, freios e eletrônica de baixa tensão, em sua maioria, sobrou espaço suficiente para carga.

Há uma ótima explicação para isso. O EX2 foi concebido sobre a plataforma DEA do Grupo Geely, uma evolução da plataforma CMA dos Volvo XC40/C40. É isso que explica a boa largura e a tração traseira, que faz diferença na dinâmica e melhora o aproveitamento de espaço.

Ar-condicionado tem controle digital, mas não é automáticoFernando Pires/Quatro Rodas

Dá para dizer que o EX2 já nasceu certo. Não se trata de um carro a combustão convertido em elétrico, como um Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990).

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Na cabine, não há sobre o que reclamar em termos de espaço. Na parte traseira, adultos com 1,80 m acomodam-se com folga para a cabeça e pernas, e com algum conforto para ombros caso três pessoas sentem-se ali. Ainda há saídas de ar traseiras e uma porta USB dedicada. Na frente, o espaço também é bom, assim como os bancos, que são revestidos de vinil.

O que realmente faz falta para o motorista é o ajuste de profundidade para a direção, que nenhum EX2 tem.

Motor mais tecnológico

O motor traseiro, que ao mesmo tempo que impede que o EX2 tenha estepe o obriga a ter suspensão multilink, nem é tão modesto. Tem 116 cv e 15,3 kgfm, números de carros 1.6 ou de um Chevrolet Onix 1.0 turbo. Mas seu grande destaque é ser um motor síncrono, mais eficiente e com entrega de força ainda mais imediata que os motores assíncronos usados pelos BYD Dolphin Mini 75 cv) e Dolphin (95 cv). Seu desempenho em nosso teste foi bom: cumpriu o 0 a 100 km/h em 10,2 s.

Fernando Pires/Quatro Rodas

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Sendo síncrono, o motor do EX2 seria capaz de desligar a regeneração de energia por completo ou de ter função one-pedal, que dispensaria o uso do pedal de freio. Mas não, ele tem uma opção de regeneração mais branda, uma intermediária e outra mais forte, que se vira para tentar recuperar algo para a bateria de 39,4 kWh, com química LFP. A potência de recarga rápida aceita é boa, de 70 kW – vai de 30 a 80% em 21 minutos. A autonomia homologada junto ao Inmetro é de 289 km.

Ainda falando em freios, eles são a disco nas quatro rodas e controlados por um sistema que distribui o efeito entre a regeneração e os freios de atrito. No entanto, a sensação no pedal não é nada esponjosa como em outros carros elétricos, mas sim a sensação de um sistema de freios convencional. Excelente.

Porta-malas traseiro tem 375 litrosFernando Pires/Quatro Rodas

Já o compartimento dianteiro tem 70 litrosFernando Pires/Quatro Rodas

O fato de o motor empurrar o carro muda bem a dinâmica do pequeno EX2. A briga da força do motor com a direção, notada em tantos elétricos de tração dianteira, simplesmente não existe. É preciso recorrer ao modo Sport e forçar bastante para o carro ensaiar alguma escapada nas acelerações. O fato de usar pneus largos, medida 205/65 R15, contribui para essa boa aderência.

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Ainda que seja novata no Brasil, a Geely conseguiu encontrar uma boa calibração de suspensão. O EX2 é um carro estável e confortável para as ruas brasileiras, com pouca tendência a ter batidas secas. Nem teria motivo para isso, porque é um carro elétrico leve: tem meros 1.300 kg.

Conectividade é dívida

Fernando Pires/Quatro Rodas

O desempenho é bom, o comportamento dinâmico é bom, o aproveitamento de espaço é bom… O que o Geely EX2 tem de ruim? Além da falta de ajuste de profundidade da direção, ele peca em conectividade. A enorme central multimídia de 14,6″ não tem Android Auto ou Apple Carplay e nem sequer tem um navegador embarcado. Ao menos existe uma previsão para que a conectividade com smartphones seja adicionada por meio de uma atualização de software via internet. Só não pode demorar.

Definições de modos de condução e regeneração voltam aos níveis intermediários toda vez que o carro é desligadoFernando Pires/Quatro Rodas

O Geely EX2 Pro é mais um carro elétrico que aumenta a pressão sobre os carros a combustão na mesma faixa de preço. É um carro elétrico de R$ 120.000 que não tem espaço ou potência limitada. Sob quase todos os aspectos, é apenas um carro normal se esforçando para fazer tudo certo, sem maiores estresses ou obrigando o motorista a se acostumar com algo. Nele, até o ajuste dos espelhos permanece com os comandos usuais de sempre.

Os chineses já perceberam isso. Novato no Brasil, o Geely EX2 foi o carro mais vendido na China em 2025. Aquele é um mercado volátil, pode ser que o modelo não repita este feito em 2026, mas o fato de já ter superado os BYD Dolphin e Dolphin Mini (Seagull, na China) diz muito sobre o carro. Não é apenas mais um.

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Teste de desempenho e consumo – Geely EX2 Pro

0 a 100 km/h

0 a 1.000 m

33,43 s / 137,26 km/h

Velocidade máxima

40 a 80 km/h

60 a 100 km/h

80 a 120 km/h

Frenagem 60 a 0

Frenagem 80 a 0

Frenagem 120 a 0

Consumo urbano

Consumo rodoviário

Ruído neutro / rpm máx.

LO./LO. dBA

Ruído 80 km/h

Ruído 120 km/h

Velocidade real a 100 km/h

Rotação a 100 km/h

não aplicável

Ficha Técnica – Geely EX2 Pro

• Preço: R$ 119.990

• Motor: elétrico, traseiro, síncrono de ímã permanente, 116 cv, 15,3 kgfm

• Bateria: íons de lítio ferro fosfato, 39,4 kWh

• Câmbio: automático, 1 marcha, tração traseira

• Direção: elétrica

• Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)

• Freios: disco ventilado nas quatro rodas

• Pneus: 205/65 R15

• Dimensões: comprimento, 413,5 cm; largura, 180,5 cm; altura, 158,0 cm; entre-eixos, 265 cm; peso, 1.300 kg; porta-malas, 375 l; frunk, 70 l

• Desempenho*:0 a 100 km/h, 10,2 s; velocidade máxima, 140 km/h

• Recarga*: AC (6,6 kW), de 30 a 80%, 6,5 h; DC (70 kW), de 30 a 80%, 21 min; autonomia, 289 km

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Leia a materia completa na fonte original:

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