Quatro Rodas

Renault Kwid E-Tech é elétrico de R$ 99.990 que mostra como carros nacionais estão caros

Renault Kwid E-Tech é elétrico de R$ 99.990 que mostra como carros nacionais estão caros

Faz quase dois anos que o Renault Kwid E-Tech custa R$ 99.990. A redução foi uma resposta ao lançamento do BYD Dolphin Mini, em 2024, mas o preço foi mantido mesmo após sua reestilização introduzida na linha 2026, com evoluções importantes e novos equipamentos de segurança de fazer inveja aos outros elétricos.

Enquanto o Kwid E-Tech se tornou o melhor Kwid à venda no Brasil, também se garantiu como o carro elétrico mais barato do Brasil.

Acontece que o mercado automotivo também mudou muito. O Kwid elétrico manteve seu preço, mas os carros de entrada ficaram mais caros. Hoje, as versões entrada dos hatches compactos 1.0 nacionais também têm preço próximo dos R$ 100.000. O Chevrolet Onix, aliás, parte dos R$ 101.990. Com isso, o Kwid E-Tech também se tornou o carro automático mais barato do Brasil, com boa vantagem frente ao Fiat Argo 1.3 CVT, de R$ 105.990.

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Olhando de longe, o argumento de venda do Renault Kwid E-Tech melhorou muito. Suas evoluções, aliás, são de causar inveja nas versões com motor 1.0 flex fabricadas no Brasil (o elétrico vem da China). Mas algumas limitações do projeto merecem atenção.

Tempero europeu

Esta reestilização do Kwid E-Tech apenas acompanha as evoluções do novo Dacia Spring para o mercado europeu. Dele vieram os novos para-choques, faróis, lanternas e o aplique preto na coluna C, mas as faixas pretas que interligam faróis e lanternas são exclusivos, pois seguem a identidade da Renault.

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As calotas também são exclusivas, mas representam uma piora, pois antigos E-Tech tinham rodas de liga leve. Por outro lado, este é o raro caso de um carro elétrico compacto que não só tem um estepe, como também têm um estepe idêntico às rodas em uso. Os pneus 175/70 R14, aliás, são comuns e custam menos de R$ 300, o que reduzirá o custo de uma futura troca.

Por dentro, quase tudo é novo. A troca do painel fez muito bem, pois as linhas horizontais diminuem a sensação de aperto e trouxe novos elementos consigo. Há um porta-objetos acima do porta-luvas, o ar-condicionado ganhou comandos eletrônicos e o visual dos botões está mais interessante, por outro lado, os botões dos vidros elétricos dianteiros continuam no painel e não há como operar os vidros elétricos traseiros – que nenhuma versão 1.0 flex tem.

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As novas telas são um capítulo à parte. A nova central de 10 polegadas tem ótimas resolução e interface, mas travou três vezes durante o teste. O jeito foi reiniciar, segurando o botão que desliga a tela, bem no topo dela – ao lado dos botões físicos do volume. O quadro de instrumentos de cristal líquido deu lugar à mesma tela de 7 polegadas das versões de entrada do Kardian. O novo volante é o mesmo do Boreal, mas sem o revestimento de couro.

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Painéis de porta e console também estão diferentes, com compartimentos mais amplos e ganchos para a fixação de acessórios que só existem lá fora. Já o antigo seletor de marcha giratório deu lugar ao mesmo joystick do Kardian e do Boreal. A diferença é que não há um botão de “Parking”, pois o Kwid E-Tech não tem uma trava para o motor elétrico: quando parado, quem segura ele é o freio de mão, que não é eletrônico.

Uma perda foi do vinil dos bancos. Agora, a parte central dos assentos é de tecido, mantendo o vinil apenas nas laterais.

Sistemas ADAS de série

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O Renault Kwid E-Tech já tinha a vantagem de ter seis airbags, enquanto as versões a flex só têm quatro, pois não têm as bolsas de cortina. Agora, porém, passa a ter frenagem de emergência, assistente de permanência em faixa e leitor de placas, sistemas de segurança que não se encontra nem no BYD Dolphin Mini (R$ 118,990), nem no Geely EX2 Pro (R$ 119.990).

Na verdade, tirando os airbags da equação, todos estes itens também não são encontrados em carros a combustão abaixo dos R$ 100.000.

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A Renault só perdeu a oportunidade de aproveitar esta atualização do Kwid elétrico para homologá-lo como um carro de cinco lugares, como são as versões flex. O elétrico não tem cinto ou encosto de cabeça no meio do assento traseiro. Também continua sem tomada USB para quem viaja ali. A única comodidade é ter, mesmo, vidros elétricos. O espaço é acanhado como em qualquer Kwid, mas os 290 litros do porta-malas estão garantidos.

Fraco e ágil ao mesmo tempo

O coração deste elétrico é um motor dianteiro de 48 kW, o equivalente a 65 cv. É pouco, se comparado a qualquer outro carro à venda no Brasil, mas o trunfo está na entrega de força. São 11,5 kgfm de torque disponíveis quase instantaneamente, ao simples toque do acelerador. Se o asfalto não tiver muita aderência, destracionar será inevitável.

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Diferente do modelo a combustão, aqui não há vibração do motor de três cilindros ou ruído de escape. O silêncio a bordo é quebrado apenas pelo zumbido do sistema de alerta para pedestres (VSP) em baixas velocidades ou pelo sistema de regeneração, que fica mais intenso no modo “B”, ativado ao puxar o joystick mais uma vez para a posição Drive.

A sensação de agilidade vem da disposição do motor em baixa velocidade. O Kwid elétrico chega aos 50 km/h em cerca de 4 segundos, tão impressionante para um carro pequeno que até é conveniente usar o modo ECO, que limita o ímpeto do carro e, ainda assim, o deixa mais rápido que os pares 1.0 flex.

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O modo ECO, aliás, é um segredo para fazer a bateria minúscula render. Ela tem 26,8 kWh líquidos, o que garante uma autonomia de apenas 185 km segundo o padrão PBEV do Inmetro. É uma bateria menor que a de muitos SUVs híbridos plug-in e tão pequena que 40% de carga dela confere a mesma autonomia da reserva do tanque de um carro flex, coisa de 90 km. Com o modo de economia, porém, é possível rodar perto de 250 km dentro da cidade.

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Outra limitação é velocidade máxima, limitada a 130 km/h. Isso deixa claro que a estrada não é o seu habitat natural.

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Com 977 kg, o E-Tech é cerca de 150 kg mais pesado que a versão térmica. Para compensar, a Renault recalibrou a suspensão, especialmente a traseira, que é mais assentada do que nas demais versões. Ainda saltita um pouco, mas a rolagem da carroceria em curvas é menor. A direção elétrica é extremamente leve, facilitando manobras.

Racional demais?

Dificilmente haverá outro carro com custo de manutenção tão baixo. Os pneus, comuns, custam cerca de R$ 300 cada. As revisões são feitas a cada 10.000 km, um intervalo curto para um elétrico, mas custam cerca de R$ 400. A exceção é o serviço de 80.000 km, que dobra de valor por incluir a substituição do líquido de arrefecimento da bateria.

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Além disso, recarregar sua pequena bateria custa pouco até mesmo em carregadores públicos. A R$ 2,50/ kW, a recarga completa custa R$ 67. Na recarga doméstica, menos de R$ 30. Em qualquer cenário o custo do quilômetro rodado será mais baixo que o de um Kwid 1.0, que faz 15,3 km com cada litro de gasolina, que agora passa dos R$ 6.

Para quem busca um segundo carro da casa ou roda muito em perímetro urbano, o E-Tech é uma ferramenta de mobilidade eficiente e, agora, financeiramente acessível. Só que, ao contrário de outros carros elétricos, não tem luxo ou qualquer status.

Teste Quatro Rodas – Renault Kwid E-Tech

Aceleração

0 a 100 km/h

0 a 1.000 m

37 – 124,5 km/h

Velocidade máxima

D 40 a 80 km/h

D 60 a 100 km/h

D 80 a 120 km/h

60/80/120 km/h a 0

15,1/27,4/63,7 m

Rodoviário

Ruído interno

Neutro/RPM máx.

n/d / – dBA

80/120 km/h

68/73,1 dBA

Velocidade real a 100 km/h

Rotação do motor a 100 km/H

Ficha Técnica – Renault Kwid E-Tech

Motor: elétrico, diant., transv., 65 cv, 11,5 kgfm

Câmbio: autom., 1 marcha, tração dianteira

Direção: elétrica

Suspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)

Freios: disco ventilado (diant.), tambor (tras.) com recuperação de energia

Pneus: 175/70R14

Dimensões: compr., 373 cm; larg., 158 cm; altura, 159 cm; entre-eixos, 242 cm; peso, 977 kg; porta-malas, 290 l

Bateria: íons de lítio, 26,8 kWh

Carregamento: Tipo 2 (AC); CCS2 (DC) a 30 kW

Alcance: 185 km (Inmetro)

Garantia: 3 anos

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Leia a materia completa na fonte original:

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