Motoristas dizem por que desistiram de comprar carros elétricos
Um estudo da EY, empresa de auditoria e consultoria, afirma que 39% dos motoristas brasileiros pretendem adiar ou reconsiderar a compra de carros elétricos, e 11% desistiram da compra. Outros 46% afirmam que seus planos permanecem inalterados. Quem está tirando o modelo elétrico da cabeça diz que a escassez de infraestrutura de recarga é o principal problema. Por outro lado, quem confirma os planos diz que quer fugir dos combustíveis caros e ajudar o meio ambiente.
Entre os consumidores que não pretendem adquirir um veículo elétrico, 36% apontam a falta de estrutura em casa ou no trabalho, ou seja, a falta de um carregador ou da possibilidade de se instalar um – como pode acontecer em condomínios ou residências com sistemas elétricos mais antigos.
O teste começou em um posto que concentra vários carregadoresFernando Pires/Quatro Rodas
Ainda entre eles, 33% mencionam a ausência de estações públicas e 28% destacam preocupações com substituição de bateria. Outros 28% recusam os elétricos pelo custo de compra inicial, embora os carros elétricos estejam cada vez mais mais competitivos com modelos a combustão.
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Além disso, 27% questionam sobre a qualidade e operação dos carregadores públicos, 21% acreditam que os elétricos são mais caros para reparar, enquanto 17% citam a autonomia e incertezas sobre custos de carregamento.
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Argumentos para não comprar:
• Falta de infraestrutura: 36%
• Ausência de estações públicas: 33%
• Substituição de bateria: 28%
• Custo de compra: 28%
• Qualidade dos carregadores: 21%
• Custos de reparação: 21%
• Autonomia e incertezas sobre custos de carregamento: 17%
Carro elétrico branco, modelo compacto, sendo carregado em um posto com painel azul que exibe “Como carregar seu veículo elétrico” e um QR CodeJoédson Alves/Agência Brasil
Por outro lado, quem pensa em comprar também tem seus argumentos. “O aumento do custo dos combustíveis convencionais lidera como principal fator, citado por 38% dos entrevistados, seguido pelas preocupações ambientais, também com 38%. Outros aspectos relevantes incluem maior autonomia (30%), menor custo total de propriedade (29%), melhor desempenho em relação aos veículos a combustão (28%), facilidade de manutenção (25%), incentivos financeiros (20%) e a ampliação da oferta de modelos (16%)”, explica Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY no Brasil.
Argumentos para comprar:
• Custo dos combustíveis convencionais: 38%
• Preocupações ambientais: 38%
• Maior autonomia: 30%
• Custo total de propriedade: 29%
• Melhor desempenho ante carros a combustão: 28%
• Facilidade de manutenção: 25%
• Incentivos financeiros: 20%
• Ampliação da oferta de modelos: 16%
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Aplicativo mostra recarga da bateria do carroJoédson Alves/Agência Brasil
Carros conectados
Foi-se o tempo de carros “pelados” apenas com rádio e poucas tecnologias. Atualmente, os consumidores brasileiros demonstram preferência por funcionalidades práticas, especialmente relacionadas à navegação, segurança e proteção. Em contrapartida, serviços voltados ao conforto, bem-estar e entretenimento têm menor peso na decisão de compra, segundo a pesquisa da EY.
“Os dados mostram que 55% dos entrevistados têm interesse em sistemas de navegação, sendo que 41% estão dispostos a pagar por esse tipo de serviço. A segurança também se destaca, com 54% priorizando esses recursos e 55% dispostos a investir em soluções de proteção. Já serviços de manutenção e assistência são mencionados por 29%, enquanto funcionalidades de conforto e bem-estar atingem 32%. Recursos de infoentretenimento, por sua vez, são considerados relevantes por apenas 17%”, ressalta Marcelo.
Interior Kia EV5Fernando Pires/Quatro Rodas
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Apesar do interesse dos motoristas, alguns fatores ainda limitam a adoção mais ampla dessas tecnologias. Entre as principais preocupações estão a distração ao dirigir (33%), o custo elevado dos serviços (32%), problemas com software e atualizações (27%), falta de conhecimento sobre os recursos disponíveis (26%) e questões relacionadas à segurança e ao compartilhamento de dados (24%).
No campo dos sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS), os consumidores demonstram cautela. As principais preocupações incluem o risco de acidentes (54%), falhas tecnológicas (52%) e a sensação de perda de controle sobre o veículo (44%).
Marcas chinesas têm boa aceitação?
Em relação às preferências por origem de marca, nota-se uma mudança no mercado brasileiro. As europeias fortaleceram seu apelo em todas as motorizações, seja combustão interna (ICE – gasolina/diesel), híbridos (completo ou leve) ou elétricos a bateria (BEV), com 76% dos brasileiros demonstrando preferência por marcas europeias, consolidando sua liderança. As marcas chinesas também avançaram, alcançando 24% da preferência. Já as marcas dos Estados Unidos registram 62%, enquanto as da Ásia-Pacífico (exceto China) somam 59%.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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Intenção de compra
A intenção de compra de carros apresentou queda significativa na maioria das regiões em comparação com o ano passado. Segundo o estudo, isso reflete a evolução das condições de mercado e um sentimento crescente de cautela por parte dos consumidores. O levantamento indica que, nas Américas, 58% dos entrevistados afirmam estar extremamente ou razoavelmente propensos a adquirir um veículo, o que representa uma redução de 3% em relação ao período anterior.
“No Brasil, embora o índice permaneça acima da média regional, também houve retração. Atualmente, 68% dos consumidores manifestam intenção de compra, número que representa uma queda de 4% em comparação com 2024. Em relação ao momento planejado para a aquisição, 64% dos entrevistados pretendem comprar um carro nos próximos 12 meses, enquanto 38% indicam um prazo entre 13 e 24 meses”, complementa o representante da consultoria.
Metodologia
O recorte brasileiro relatado acima faz parte da sexta edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI) da EY, realizado em 2025 e divulgado agora. O estudo completo tem uma base de pesquisa feita em 32 países e que contou com 21 mil respondentes, incluindo 1.000 consumidores no Brasil.
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