AutoCidade Editorial

Jeep Compass 2027 vira semi-híbrido de 48 V: os R$ 7 mil a mais se pagam na bomba, no IPVA ou na oficina?

Jeep Compass 2027 vira semi-híbrido de 48 V: os R$ 7 mil a mais se pagam na bomba, no IPVA ou na oficina?

"Híbrido" virou uma daquelas palavras que vendem sozinhas, como "turbo" nos anos 2000 e "flex" nos anos 2010. Agora é a vez do Jeep Compass estampar a sigla. A linha 2027 do SUV, apresentada nesta semana, adota o sistema semi-híbrido de 48 volts que a Stellantis já usa no Renegade e no Commander. Mas, antes de o leitor imaginar o Compass rodando em silêncio pelo estacionamento do shopping, convém entender o que esse sistema faz, o que ele não faz e quanto ele custa a mais.

O que muda debaixo do capô

O motor continua o conhecido T270, 1.3 turbo flex, com 176 cv a 5.750 rpm e 27,5 kgfm a 2.000 rpm, com gasolina ou etanol. A novidade, segundo os dados divulgados pela Jeep e publicados pelo site AutoEntusiastas, é um gerador-motor integrado, que é basicamente o alternador funcionando também ao contrário, como motor. Ele entrega 15,5 cv e 6,5 kgfm e é alimentado por uma bateria de íons de lítio de 0,82 kWh, instalada sob o túnel central.

Essa bateria se recarrega nas desacelerações e frenagens. A energia guardada volta para ajudar o motor a combustão nas arrancadas e retomadas, além de permitir um liga-desliga mais suave no trânsito. Nas versões MHEV, a tração é só dianteira e o câmbio é o automático Aisin de seis marchas.

Publicidade: StickybitPublicidade

O que o sistema não faz: o Compass MHEV não anda só no modo elétrico de forma relevante, não tem tomada e não tem autonomia elétrica. É um ajudante, não um segundo motor. Por isso o nome "semi-híbrido", ou "híbrido leve". Nada contra; só é bom saber o que se está comprando.

Os preços e quem ganha o sistema

A gama 2027 ficou assim:

Sport T270 Flex – R$ 174.990
Longitude T270 Flex – R$ 199.990
Longitude Night Eagle T270 MHEV – R$ 206.990
Série S Hybrid T270 MHEV – R$ 233.990
Blackhawk 2.0 Hurricane – R$ 278.990

A comparação mais direta é entre o Longitude a combustão e o Longitude Night Eagle MHEV: R$ 7 mil de diferença. Não é uma diferença só de sistema, porque o Night Eagle traz o acabamento escurecido e rodas aro 19, contra aro 18 do Longitude. Ainda assim, é o degrau que o consumidor vai enxergar na concessionária. O topo Blackhawk segue com o 2.0 turbo de 272 cv, câmbio de nove marchas e tração integral, sem eletrificação.

A conta da bomba

A Jeep declara redução de cerca de 11% no consumo, pelos dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro. Os números do MHEV são 11,2 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada com gasolina, e 8,0 km/l e 8,7 km/l com etanol.

Agora, uma conta aproximada, feita por nós, só para dar ordem de grandeza. Se o MHEV gasta 11% menos combustível, a versão sem o sistema faria algo perto de 10 km/l na cidade com gasolina. Para quem roda 12 mil km por ano no urbano, isso significa cerca de 1.070 litros no MHEV contra uns 1.200 litros no carro convencional: uma economia de aproximadamente 130 litros por ano. Com gasolina na casa dos R$ 6,30, são cerca de R$ 800 por ano.

Nesse ritmo, os R$ 7 mil de diferença levariam perto de nove anos para voltar só pela bomba. Quem roda muito mais, sobretudo em trânsito pesado, onde o sistema trabalha mais, encurta o prazo. Quem roda pouco ou mais na estrada, alonga. Pela bomba, sozinho, o semi-híbrido não é um investimento brilhante. Mas a bomba não é o único lugar onde a conta acontece.

IPVA e rodízio: onde a conta pode virar

Segundo a Jeep, as versões MHEV têm algum tipo de isenção ou desconto de IPVA em seis estados, conforme a legislação de cada um, além de ficarem livres do rodízio municipal de São Paulo. Aqui está o pulo do gato. Para ter ideia do tamanho (de novo, conta ilustrativa): um IPVA de 4% sobre um carro de R$ 200 mil seria R$ 8 mil por ano. Onde houver isenção integral, um único ano pagaria a diferença de preço. Onde houver só desconto parcial, ainda assim a vantagem anual tende a superar a economia de combustível.

O conselho é simples: antes de fechar negócio, consulte a Secretaria da Fazenda do seu estado e confira se o benefício vale para híbridos leves (há estados que só contemplam elétricos ou híbridos com determinados requisitos), por quanto tempo e com que teto de valor. Para o paulistano, a liberação do rodízio tem um valor que não aparece em planilha, mas aparece toda semana.

O que muda na manutenção

É aqui que o dono de oficina e o dono do carro precisam prestar atenção. O sistema de 48 V fica abaixo do patamar de 60 V usado como referência para alta tensão, então o risco de choque grave é bem menor que o de um híbrido completo ou de um elétrico. Mas isso não quer dizer que qualquer oficina esteja pronta.

A correia ganhou responsabilidade. O gerador-motor trabalha ligado à correia de acessórios. Ela não só gira o alternador como transmite força nas duas direções, ajudando o motor. Correia, tensionador e polias passam a ser itens de atenção maior nas revisões. Correia ressecada ou tensionador cansado em um MHEV não é só barulho: é o sistema perdendo eficiência e acendendo luz no painel.

São duas baterias. Além da bateria de lítio de 48 V, o carro mantém a bateria comum de 12 V para os sistemas convencionais. A de 12 V continua sendo a culpada de muitos problemas elétricos e deve ser testada nas revisões. A de 48 V é componente do sistema híbrido e tem diagnóstico próprio.

Diagnóstico exige equipamento atualizado. Falhas no conjunto aparecem como códigos de erro específicos. Oficina sem scanner compatível e sem informação técnica da Stellantis vai trabalhar no escuro. Antes de sair da rede autorizada depois da garantia, pergunte à oficina independente se ela já atende Renegade e Commander MHEV, que usam o mesmo sistema.

Freio pode durar mais. Como parte da desaceleração é feita pelo gerador recuperando energia, o desgaste de pastilhas tende a ser menor. Não é motivo para pular a inspeção, mas é uma boa notícia para o bolso.

Vale a pena?

Para quem já ia comprar um Compass Longitude, mora em estado com benefício de IPVA para híbrido leve ou roda em São Paulo e sofre com o rodízio, o Night Eagle MHEV tende a ser a escolha racional, com o bônus de um pouco mais de fôlego nas saídas. Para quem roda pouco, mora em estado sem benefício e não liga para o visual escurecido, o Longitude a combustão continua fazendo sentido, e os R$ 7 mil podem pagar mais de um ano de seguro.

Antes de assinar, faça três coisas: confirme na Fazenda estadual se o MHEV tem isenção ou desconto de IPVA e por quanto tempo; pergunte à concessionária qual é a garantia específica da bateria de 48 V e do gerador-motor, e em que condições; e, no test drive, preste atenção no liga-desliga em semáforo e nas arrancadas, que é onde o sistema deveria fazer diferença. Se você não notar nada, talvez a melhor parte do híbrido seja mesmo o imposto.

Publicidade: StickybitPublicidade

Leia a materia completa na fonte original:

Ver no AutoCidade Editorial

Compartilhar