O novo GWM Tank 300 cresce, fica mais off-road e ganha bateria de 60 kWh capaz de rodar 200 km só na eletricidade
Existe uma categoria de carro que parece imune às modas: o SUV quadradão de pegada off-road, projetado para parecer que acabou de sair de uma trilha mesmo quando nunca saiu do asfalto da avenida. O Tank 300, da GWM, pertence a essa linhagem — visualmente parente do Jeep Wrangler e do Land Rover Defender, mas com preço, tecnologia e estratégia comercial que só uma fabricante chinesa em expansão global consegue bancar. E agora ele está prestes a ficar ainda mais robusto, ainda mais tecnológico e, principalmente, ainda mais elétrico.
A nova geração, apresentada primeiro para o mercado chinês, traz uma combinação que resume bem para onde a indústria automotiva está caminhando: carroceria maior e mais capaz fora de estrada, somada a uma versão híbrida plug-in com autonomia elétrica que praticamente dobra em relação ao que existia antes. É o tipo de receita que tenta agradar simultaneamente o entusiasta de trilha tradicional e o comprador urbano preocupado com consumo e emissões.
Maior por fora, mais capaz por baixo
Comecemos pelas dimensões, porque elas contam uma história por si só. O novo Tank 300 cresce para 4,89 metros de comprimento — um acréscimo de 14 centímetros sobre a versão anterior —, além de 1,98 metro de largura e 1,93 metro de altura. O entre-eixos chega a 3,01 metros. Não são números aleatórios: cada centímetro a mais tende a significar mais espaço interno e mais estabilidade, mas o detalhe mais interessante é outro. A engenharia reduziu o balanço dianteiro — a distância entre o eixo da frente e a ponta do carro — justamente para melhorar o ângulo de entrada em subidas e obstáculos, um ajuste que só interessa a quem realmente vai sujar o carro de terra.
A suspensão segue essa mesma lógica de compromisso entre conforto e capacidade: duplo braço triangular na dianteira, eixo rígido com sistema multilink na traseira — uma configuração clássica de utilitário robusto, pensada para absorver terrenos irregulares sem perder controle. O bloqueio de diferencial traseiro vem de série, e o bloqueio dianteiro fica disponível como opcional, permitindo que o comprador escolha o nível de "hardware off-road" que realmente precisa, sem pagar por travamento duplo se o uso for majoritariamente urbano.
A grande novidade: 200 km rodando só de bateria
Se as dimensões maiores atraem quem gosta de trilha, a novidade que realmente muda o jogo comercial do Tank 300 está na versão PHEV. O pacote híbrido plug-in passa a adotar uma bateria de 60 kWh — um salto expressivo para o segmento — e promete 200 km de autonomia rodando exclusivamente no modo elétrico, segundo o ciclo de homologação WLTC, referência internacional geralmente mais rigorosa que os ciclos usados no Brasil.
Para colocar esse número em perspectiva: a maioria dos híbridos plug-in vendidos hoje mundo afora entrega algo entre 40 e 100 km de autonomia elétrica. Um SUV robusto de perfil off-road entregando 200 km só na eletricidade representa, na prática, que boa parte do uso diário urbano — ir ao trabalho, levar os filhos à escola, fazer compras — pode acontecer sem o motor a combustão sequer ligar. O carro continua sendo, tecnicamente, um híbrido, mas se comporta como elétrico puro na rotina de quem mora na cidade e só usa o modo 4x4 nos finais de semana.
Essa capacidade vem de uma arquitetura elétrica de 800 volts com bateria de química NMC, similar à que a GWM já emprega no Tank 400, irmão maior da linha. Arquiteturas de 800V são relevantes porque permitem recarga mais rápida e menor perda de energia em cabos e componentes — um padrão que fabricantes premium também vêm adotando em seus elétricos mais recentes.
Motores de sobra para quem não quer saber de tomada
Para quem prefere continuar 100% na combustão, a GWM não deixou o catálogo enxuto. A opção diesel 2.4 turbo entrega 50 kgfm de torque, focada em quem busca robustez para reboque e uso pesado. Já quem quer desempenho tem a versão gasolina V6 3.0 turbo, com 360 cv — um número expressivo para a categoria — e também a versão 2.0 turbo de quatro cilindros, agora elevada para 238 cv, ganho relevante sobre a geração anterior.
E, no meio-termo entre a eletrificação total e a combustão pura, existe ainda o sistema híbrido Hi4-Z, focado especificamente em maximizar o alcance total do veículo — a soma da autonomia elétrica com a autonomia do tanque de combustível —, uma estratégia pensada para quem faz viagens longas e não quer depender de pontos de recarga em regiões remotas.
Visual mais robusto e um LiDAR que entrega o jogo
No design, as mudanças reforçam a personalidade off-road do modelo. O emblema "TANK" ganha espaçamento maior entre as letras, o para-choque fica mais robusto, com elementos de fixação deliberadamente expostos — um detalhe estético que sinaliza resistência mesmo antes de o carro sair do asfalto. Mas o detalhe que mais chama atenção de quem acompanha tecnologia automotiva é outro: a possível presença de um sensor LiDAR posicionado acima do para-brisa.
Esse tipo de sensor, cada vez mais comum em carros com sistemas avançados de assistência ao motorista, sugere que o Tank 300 deve vir equipado com o pacote batizado de Coffee Pilot Ultra — a suíte de assistência à condução mais sofisticada da GWM, capaz de mapear o ambiente ao redor do veículo com muito mais precisão que câmeras e radares convencionais. Para um SUV que também precisa lidar com terrenos irregulares e obstáculos imprevisíveis fora de estrada, ter esse nível de percepção de ambiente é um diferencial e tanto — tanto na cidade quanto na trilha.
Cronograma e o que esperar no Brasil
Na China, a pré-venda da nova geração começa em 6 de julho de 2026, com entregas globais previstas para depois da estreia comercial no mercado doméstico chinês — o padrão que a GWM costuma seguir antes de expandir modelos para outras regiões. A versão atual do Tank 300, ainda sem as novidades desta nova geração, é vendida hoje na faixa de R$ 152.400 a R$ 190.600.
Não há, até o momento, confirmação oficial de quando — ou se — essa nova geração completa chegará ao Brasil, nem em qual configuração. Mas o histórico recente da GWM no país, com investimento pesado em fábrica própria e expansão agressiva de portfólio eletrificado, sugere que ignorar esse modelo renovado seria estratégia improvável. Se a versão PHEV de 200 km elétricos chegar por aqui em preço competitivo, o Tank 300 tem tudo para se tornar um dos SUVs mais discutidos do segmento — o raro caso de carro robusto o suficiente para impressionar no offroad e discreto o bastante, no consumo, para impressionar também no fim do mês.
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