Nissan Fairlady Z tem V6 biturbo e seria resposta a Civic Type R e GR Corolla
Para os japoneses, o nome Fairlady Z nunca foi um problema, exceto pela pronúncia, “Fearedi Zetto”. Mas, quando as primeiras unidades atravessaram o Oceano Pacífico e chegaram aos Estados Unidos, soaria mal lançar um carro cujo nome, na tradução literal, fosse “Bela Dama Z”. Foi assim que o primeiro Fairlady Z, de 1969, se tornou Datsun 240Z. Este foi o início da série Z, uma linhagem de carros esportivos com a premissa de serem bonitos, prazerosos ao volante e, principalmente, baratos.
Não parece, mas esta sétima geração é um carro de estilo retrô, ao contrário dos seus antecessores, os Nissan 300ZX, 350Z e 370Z. O capô longo, a tomada de ar frontal quadrada e até a curvatura sob os faróis remetem ao modelo fabricado entre 1969 e 1978, assim como os emblemas nas colunas traseiras e o próprio nome do carro: para os japoneses, este é o novo Nissan Fairlady Z. No resto do mundo, porém, atende por Nissan Z.
Na traseira, ao menos as duas saídas de escape são indicativos dos novos temposDivulgação/Nissan
Mesmo a traseira tenta estreitar as relações com a “dama” inspiradora. As lanternas horizontais integradas por uma placa de plástico preto e o aerofólio são uma interpretação moderna do modelo quase sexagenário.
O formato e posição do vidro traseiro e das janelas espia laterais também vão pelo mesmo caminho. São elementos que os iniciados percebem, mas que podem passar batido para os desavisados, que acharão este esportivo legal do mesmo jeito.
O capô é mais longo, mas 25% da estrutura do Fairlady Z é aproveitada do 370ZDivulgação/Nissan
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Também pudera: se o motor não é um seis-cilindros em linha como no carro original, trata-se da última versão do motor V6 VR30DDTT, um 3.0 biturbo com 405 cv e 48,4 kgfm compartilhado com o Nissan Skyline atual. É um ganho e tanto frente aos 332 cv do V6 3.7 aspirado que equipava o 370Z.
A tração é traseira e a força passa antes, preferencialmente, pelas engrenagens de um câmbio manual de seis marchas. No entanto, nesta oportunidade apenas a configuração com câmbio automático de nove marchas (um opcional sem custo) estava disponível.
Instrumentos digitais focam em exibir o máximo de informações possívelDivulgação/Nissan
–Divulgação/Nissan
Pelo menos esta experiência é com um Fairlady Z legítimo, inclusive com o volante do lado direito. Estou na Nissan Grandrive, o complexo de pistas de testes da Nissan em Yokosuka, no Japão, que, em dias normais, é utilizado para desenvolvimento de novos carros. O importante, porém, é que há espaço para pisar fundo.
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Ao assumir o volante, percebo que o conceito de “Gran Tourer 2+2” ficou pelo caminho: esta nem mesmo é a versão Nismo, com 420 cv, mas não há assentos traseiros. O que há atrás dos bancos é uma barra transversal para aumentar a rigidez do chassi e o pequeno porta-malas, espremido entre as torres dos amortecedores, de 241 litros.
Cabine e os mostradores analógicos no topo do painel respeitam a tradição da série ZDivulgação/Nissan
O que mais me chama a atenção, porém, é como o painel segue as formas do carro original. Mantiveram os três mostradores analógicos no topo da seção central, neste caso com voltímetro e indicadores de velocidade e pressão dos turbocompressores, mesmo que estas informações também possam ser exibidas no quadro de instrumentos digital de 12,3”.]
–Divulgação/Nissan
As saídas de ar centrais horizontais permanecem logo abaixo, enquanto o console se afunila até separar os assentos. Uma central multimídia é muito maior que um rádio antigo, e comandos giratórios ainda não eram usados no ar-condicionado de carros dos anos 1970, mas a inspiração se faz presente.
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Motor V6 3.0 biturbo gera 405 cvDivulgação/Nissan
A posição de dirigir tão baixa, que fazia os retrovisores parecerem estar altos demais, e meu assento na metade traseira do entre-eixos (que tem meros 2,55 m, 7 cm a menos que um Kait) eram dois bons presságios. Assim que sou autorizado a acelerar, o Fairlady Z demonstra como seu motor V6 responde rápido e é envolvente.
Até a curvatura no para-choque sob o farol remete ao Fairlady Z originalDivulgação/Nissan
A direção também tem pronta resposta e peso que vem a calhar em um esportivo. No modo Sport, acionado por um botão oposto ao que dá partida no motor, as respostas ficam ainda melhores, o ronco se torna mais encorpado e o câmbio automático de nove marchas dá um tempo e permite explorar melhor as rotações. E verdade seja dita: o câmbio automático deixa o “Zetto” mais rápido, chegando aos 100 km/h em 4,3 s, contra os 4,5 s declarados para a versão manual.
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Nos trechos mais sinuosos, insisto em usar as borboletas para deixar o motor em alta rotação, preparado para a entrada da reta. A leve destracionada ao pisar fundo faz parte do show, a suavidade do motor trabalhando em alto giro também. Ainda aproveitei a curva mais fechada no final da reta para ver o efeito do diferencial traseiro com deslizamento limitado (LSD), mas só descobri que o limite do Fairlady Z está muito além das restrições daquela pista.
–Divulgação/Nissan
A despeito da pista controlada, o Nissan demonstrou ser até bastante confortável em termos de suspensão e também no que diz respeito aos bancos, com formato e apoios laterais dignos de carros esportivos.
Como nos velhos tempos, o novo Nissan Fairlady Z cobra pouco para o que entrega. Parte dos 5.497.800 ienes, o equivalente a R$ 195.954. É mais barato que o Honda Civic Type R completo, que no Japão custa 6.179.800 ienes (R$ 220.262) e no Brasil sai por R$ 429.900, com motor 2.0 turbo de 297 cv. O Toyota GR Corolla, por sua vez, custa 5.713.000 ienes (R$ 203.624) no Japão e R$ 416.990 no Brasil, com 1.6 turbo de 304 cv.
–Divulgação/Nissan
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As outras japonesas já perceberam um filão de esportivos exclusivos, só falta a Nissan olhar para esse nicho. Por enquanto, porém, ela não cogita vender o Z no Brasil.
Veredicto: Ao mesmo tempo que honra as tradições, o Nissan Fairlady Z é um bom esportivo que merecia ter uma chance no Brasil.
Ficha Técnica – Nissan Fairlady Z
• Preço: R$ 195.954
• Motor: dianteiro, longitudinal, 6 cilindros em V, 24V, 2.997 cm³, 405 cv a 6.000 rpm, 48,4 kgfm entre 1.600 e 4.400 rpm
• Câmbio: automático, 9 marchas, tração traseira
• Direção: elétrica
• Suspensão: duplo A (diant.), multibraços (tras.)
• Freios: disco ventilado nas quatro rodas
• Pneus: 255/40 R18
• Dimensões: compr., 438 cm; larg., 184,5 cm; alt., 131,5 cm; entre-eixos, 255 cm; peso, 1.647 kg; porta-malas, 241 l; tanque, 62
• Desempenho*: 0 a 100 km/h, 4,3 s; velocidade máxima, 249 km/h
*Dados de fábrica
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