GWM Wey 07 acelera como um Mustang e pode esquentar marmita
A GWM criou a linha Wey para demonstrar do que é capaz em luxo, desempenho e tecnologia, e banca seu alto nível com um batismo de peso: o nome Wey é inspirado em Jack Wey, ninguém menos que o fundador da Great Wall Motors.
Por ora, enquanto o V9X não é oficialmente lançado, o modelo mais emblemático e sofisticado da família Wey é o 07. Trata-se de um SUV de seis lugares, com dimensões próximas às de picapes médias, que tem luxos de alemães tradicionais e acelera como um esportivo.
Ele estreia no Brasil como o modelo mais potente e caro da marca. Por R$ 429.000, o Wey 07 custa menos da metade de europeus equivalentes, como BMW X7 e Mercedes-Benz GLS, ambos próximos da faixa de R$ 1 milhão. Recentemente, porém, o modelo ganhou um rival direto: o BYD Atto 8, de R$ 399.990. Assunto para outra ocasião.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Elegância em larga escala
O Wey 07 segue as tendências visuais já clichês de outros modelos chineses, com faróis divididos e lanternas de ponta a ponta, mas em uma interpretação elegante. Inclusive, para o mercado brasileiro, ele dispensa cromados. É um esforço da operação brasileira da GWM para evitar exageros visuais, assim como já acontece nos Haval.
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Na dianteira, os faróis full led (com fachos baixo e alto automáticos) são estreitos e se confundem com as poucas aberturas da lataria. O logotipo da linha Wey, posicionado ao centro, remete ao da luxuosa Lincoln pelo formato vertical.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
De lado, as superfícies são predominantemente lisas, com vincos discretos, e maçanetas retráteis – elas precisarão ser trocadas em uma próxima atualização do modelo, já que foram proibidas na China, por segurança. As belas rodas são de 21 polegadas com acabamento diamantado e pneus 265/45.
A traseira ostenta grandes lanternas que atravessam a tampa do porta-malas e se estendem em direção às laterais e ao para-choque. Ou seja, apesar de replicar uma solução clichê, o fez com personalidade. A tampa traseira, cuja abertura é automática, tem boa proteção do para-choque.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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Em dimensões, o enorme Wey 07 se aproxima de picapes médias. São 5,16 metros de comprimento, 1,98 m de largura, 1,81 m de altura e 3 metros de entre-eixos. Um esterço nas rodas traseiras seria bem-vindo para auxílio em manobras.
Espaço e luxo para todos
Fugindo ao comum de grandes SUVs que têm sete lugares (como o BYD Atto 8), o Wey 07, apesar do nome, tem espaço para seis ocupantes. Isso faz com que todos tenham espaço de sobra e mais individualizado, já que o esquema dos bancos é 2+2+2.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O acesso à terceira fileira é por um corredor central, criado entre as poltronas da segunda fila em uma solução semelhante às vans, melhor do que a necessidade de rebater os bancos centrais.
A acomodação no “fundão” surpreende pelo conforto, com espaço suficiente para as pernas (negociável com quem está à frente) e a cabeça, considerando a acomodação confortável de três pessoas de aproximadamente 1,75 m nas três fileiras. O assoalho é alto, mas em um nível que minimiza a inclinação dos joelhos, e as grandes janelas não deixam que o local se torne claustrofóbico.
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
Por fim, há revestimento de tecido nas laterais (onde ficam as caixas de rodas), apoios de braços para os dois ocupantes, bem como porta objetos, saídas de ar-condicionado no teto e, pasme, aquecimento para os bancos. Por outro lado, apenas o ocupante da esquerda tem à disposição uma porta USB-C.
A segunda fileira tem duas poltronas individuais, com apoios de braços centrais e ajustes elétricos – entre eles, de distância, lombar e elevação para apoio das pernas. Não para por aí: há aquecimento e ventilação nos bancos, além de uma zona de ar-condicionado dedicada, com saídas no teto, e cortinas manuais nas janelas.
–Fernando PIres/Quatro Rodas
As duas poltronas têm ainda confortos diferentes. A da direita pode ser reclinada, em uma função que empurra o banco dianteiro direito para frente, permitindo que o passageiro fique praticamente deitado. Por isso, o cinto desta poltrona é ancorado nela mesma e há um apoio para os pés nas costas do banco dianteiro.
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A da esquerda tem à disposição uma mesa retrátil embutida no encosto do banco dianteiro e, apesar de ter ajustes que reclinam, não permite a mesma amplitude do banco direito, já que à frente há o motorista.
–Fernando PIres/Quatro Rodas
Ninguém sentirá falta de espaço, nem as bagagens. Com as três fileiras disponíveis, são 239 litros de capacidade. No entanto, raramente o modelo será utilizado sempre em sua lotação máxima. Assim, com a terceira fileira rebatida, o compartimento passa a ter 1.040 litros.
Esquenta até a marmita
Bem como o exterior, o painel do GWM Wey 07 repete as linhas já clássicas de carros chineses. Ou seja, tem visual clean (até demais) com poucos botões físicos, superfícies lisas e contínuas, luzes ambiente discretas e destaque para as telas.
–Fernando PIres/Quatro Rodas
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No acabamento, o Wey 07 não quer ser questionado. Os materiais utilizados são de alta qualidade, com grande emprego de superfícies macias e/ou emborrachadas, uso de revestimentos sintéticos de toque agradável e encaixes que beiram a perfeição. Mas não se assuste com o interior marfim da unidade testada: também há opção de interior preto, mas isso dependerá da cor da carroceria. A depender do tom, haverá poder de escolha entre preto e marfim, mas alguns permitem apenas um ou outro.
–Fernando PIres/Quatro Rodas
O quadro de instrumentos de 12,3 polegadas tem boa qualidade de imagem e pode replicar os mapas de Waze e Google Maps. A central multimídia, com 14,6 polegadas, tem sistema moderno e intuitivo, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Por fim, o head-up display é equivalente a uma tela de 25 polegadas.
Entre os equipamentos, há ar-condicionado de três zonas com sistema de limpeza do ar, carregador de celulares por indução com 50W, sistema de som com 16 alto-falantes e 1.670 Watts, ACC, frenagem automática de emergência, faróis altos automáticos, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de pontos cegos e seis airbags. Os bancos dianteiros, com ajustes elétricos, têm ainda aquecimento, ventilação e massagem.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Outro destaque do Wey 07 está nos porta objetos, que são vários e de ótimas capacidades. Um deles, no entanto, se destaca: é o que fica no console central, abaixo do apoio de braço central. Ao abri-lo, há uma espessa bandeja para objetos variados. Tirando a bandeja, se revela um compartimento de 7 litros que pode congelar, resfriar ou aquecer bebidas e alimentos, com temperaturas entre -6°C e 50°C.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Mas há pontos negativos no SUV, que passa do ponto ao concentrar funções na central multimídia. Além de comandos gerais, como ar-condicionado, modos de condução e até porta-malas, ele também digitaliza o direcionamento do vento do ar-condicionado.
As saídas ficam camufladas no painel e não têm direcionamento físico do fluxo, apenas digital, pela multimídia, como acontece em Porsche Taycan e BYD Seal. Também estão lá comandos de faróis, por exemplo. Ou seja, ajustes corriqueiros que, por segurança, deveriam ser físicos, mas forçam uma distração desnecessária do motorista.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Como consequência, se faz necessário desligar o monitoramento de distração do motorista, que percebe quando o mesmo desvia o olhar da pista. Mas, como não fazê-lo com tantas funções concentradas na central?
Além disso, sistemas como manutenção e centralização em faixa, e alerta de colisão traseira (aquele que pisca os luzes caso um outro veículo se aproxime em alta velocidade), também geram irritação pelo acionamento invasivo. No fim, diversos itens de segurança precisam ser desativados por geraram mais incômodos do que ajudas.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Acelera como um esportivo
Mesmo com 2.545 kg e seus 5,16 metros de comprimento, o GWM Wey não pode fazer feio em desempenho por seu posicionamento. E passa longe disso. O SUV combina um motor 1.5 turbo a outros dois elétricos, chegando aos 517 cv de potência e 83,6 kgfm de torque combinados. A tração é integral.
Essas credenciais dão a ele acelerações rápidas que não se espera de um carro tão grande. Nos nossos testes, o GWM foi de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, número equivalente a de modelos esportivos, como um Ford Mustang GT. Na verdade, ao comparar os números puros dos nossos testes, o Wey foi ainda mais rápido: fez em 4,87 segundos, contra 4,96 s do Mustang.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Mas, ponderemos: a proposta do SUV não é esportiva, e isso fica muito claro na sua dirigibilidade, que não deixa esquecer que se trata de um carro grande e pesado. A direção é voltada ao conforto, com maciez, mas sem levezas artificiais. A posição de dirigir é alta, quase como em uma minivan, e a suspensão garante um rodar suave e refinado, com ajustes mais firmes. Não convém, porém, abusar em curvas mais fechadas.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
São sete modos de condução disponíveis, cada um com um caráter bem marcado. São eles: eco, normal, sport, snow, mud, sand e AWD. Cada um gerenciará o funcionamento dos motores de uma forma, para otimizar a entrega de desempenho e consumo. Por falar em consumo, as médias obtidas nos nossos testes foram de 10,2 km/l na cidade e 8,5 km/l na estrada.
Uma grande bateria de 42,5 kWh alimenta os motores elétricos e pode ser recarregada a até 6,6 kW em carga lenta (AC) e a 60 kW em carga rápida (DC). Segundo a GWM, a autonomia elétrica é de 128 km, no ciclo PBEV.
O GWM Wey 07 não deve em luxo, espaço, tecnologia e desempenho para seus rivais que custam mais do que o dobro, embora não entregue o status de um alemão.
Teste Quatro Rodas – GWM Wey 07
Aceleração
0 a 100 km/h: 4,9 s
0 a 1.000 m: 24,7 s – 197,2 km/h
Velocidade máxima: 190 km/h (dados de fábrica)
D 40 a 80 km/h: 2,7 s
D 60 a 100 km/h: 3,1 s
D 80 a 120 km/h: 5,9 s
60/80/120 km/h a 0: 14,2/25,2/57,1 m
Urbano: 10,2 km/l
Rodoviário: 8,5 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx.: -/-dBA
80/120 km/h: 61,4/66,1 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: –
Volante: 2,5 voltas
Preço básico: R$ 429.000
Garantia: 5 anos
Ficha técnica – GWM Wey 07
• Motores: gasolina, dianteiro, 4 cilindros, 16V, 1.5
• Motor elétrico: dois (um dianteiro + um traseiro)
• Combinados: 517 cv, 83,6 kgfm
• Bateria: 42,5 kWh com recarga máxima de 6,6 kW (AC) e 60 kW (DC)
• Câmbio: DHT
• Suspensão: McPherson (diant.)/ multilink (tras.)
• Freios: a disco nas quatro rodas
• Direção: elétrica
• Rodas e pneus: liga leve, 265/45 R21
• Dimensões: comprimento, 515,6 cm; largura, 198 cm; altura, 180,5 cm; entre-eixos, 305 cm; tanque, 79 l; peso, 2.545 kg; porta-malas, 239/1.040 l (seis/quatro lugares)
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Leia a materia completa na fonte original:
Ver no Quatro Rodas