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GAC Hyptec HT é chinês com portas asa de gaivota tão bom quanto intrigante

GAC Hyptec HT é chinês com portas asa de gaivota tão bom quanto intrigante

Eu ainda estava na frente do prédio onde fica o escritório da GAC, em São Paulo, quando fui abordado por um pedestre: “Esse é aquele carro que abre as portas para cima?”, ele me perguntou. Eu disse que sim e apertei a chave duas vezes para mostrar a abertura das “asas de gaivota” do Hyptec HT. Só não tive tempo de dizer que esse carro tem qualidades que vão muito além disso.

O GAC Hyptec HT mistura boas qualidades dos crossovers elétricos modernos com as dos antigos monovolumes. As próprias portas traseiras com abertura para cima, opcionais de R$ 50.000, favorecem a praticidade, pois torna mais fácil sair do carro em locais apertados, graças a uma articulação no topo dos vidros laterais. Na pior das hipóteses, quem está atrás sai do carro e quem está na frente não.

Esse carro também tem, de série, comodidades que os SUVs, que foram responsáveis por acabar com os monovolumes, raramente conseguem entregar.

Fernando Pires/Quatro Rodas

A mesinha atrás do banco do motorista é algo típico de carros de família. O banco do carona, por sua vez, não só tem um apoio para os pés do passageiro traseiro como também controles para que quem senta-se atrás possa aumentar seu espaço para as pernas.

O encosto traseiro ainda é reclinável e o espaço ali, de tão grande, permite ficar à vontade como em um sofá. Só falta uma zona de temperatura dedicada e mais uma porta USB (só tem uma) para quem anda na segunda fila, pecados em um carro que custa R$ 359.990 nesta versão Ultra (que tem as “portas especiais”).

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Comodidades incomuns

Interface eletrônica concentra a operação de tudo no par de comandos do volanteFernando Pires/Quatro Rodas

Os ocupantes da frente não foram esquecidos. Os assentos dianteiros têm ajustes elétricos, ventilação e massagem. Quem vai na frente também percebe primeiro o sistema de aspersão de perfume no ar que circula pelo sistema de ar-condicionado, sendo possível escolher entre três fragrâncias por meio da central multimídia.

A quantidade de porta-objetos é outro destaque. O motorista tem um compartimento dedicado à altura do joelho esquerdo, há outro fechado no apoio de braços central, o porta-copos com tampa e um grande vão sob o console. O Hyptec HT só não tem porta-luvas, o que aumentou o espaço para as pernas do carona.

Fernando Pires/Quatro Rodas

Fernando Pires/Quatro Rodas

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Graças ao painel recuado e à disposição das telas, a cabine passa uma boa sensação de amplitude. A tela do quadro de instrumentos tem 8,8 polegadas e fica mais próxima do para-brisa, em uma posição semelhante à do quadro de instrumentos dos Peugeot. As informações ali exibidas, porém, não têm grande possibilidade de customização. São as informações de velocidade, carga e de condução e mídia, basicamente. O volante, com os poucos botões compartilhados entre as funções, exige costume do motorista.

A tela de 14,6 polegadas da central multimídia fica mais próxima dos ocupantes e tem uma boa interface, com muitas possibilidades de acesso rápido às funções principais. Até existe integração com Apple Carplay sem fio, mas não há compatibilidade com Android Auto nem por cabo. Há internet a bordo e sistema de som com 22 alto falantes, sendo um par deles em cada um dos alto-falantes dianteiros – por onde o navegador embarcado cochicha as direções no pé do ouvido do motorista.

Fernando Pires/Quatro Rodas

O revestimento da cabine não usa couro natural, mas nappa, um material sintético macio ao toque. Onde não há nappa, há uma microfibra que imita suede. É o caso das colunas e do teto, além da base de carregamento sem fio que, no entanto, já dava sinais de estar desfiando. Outra preocupação com o projeto está nos vidros, que são todos acústicos e de grande valia para o isolamento acústico, que é muito bom.

Nem parece chinês

Carros elétricos chineses normalizaram os comandos concentrados em telas, potência e torque em níveis impressionantes, também as calibrações de suspensão com acerto muito mais confortável que desejável. Este GAC não se esquivou das telas, mas suspensão até que bastante interessante. Mas seu motor elétrico não comete exageros.

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O único motor elétrico é traseiro, com 245 cv e 31,5 kgfm, e até dá conta de deixar a condução até divertida, mas sem exageros. Em nosso teste, levou o monovolume aos 100 km/h em 7,6 segundos – cerca de meio segundo mais lento que um Jeep Commander 2.0 turbo, com 272 cv. Para um carro de 2.090 kg, não é ruim.

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Pelo menos o fato de ter apenas um motor deixa o consumo de energia mais comedido. Sua bateria, de 72,7 kWh, resulta em uma autonomia de 362 km homologada junto ao Inmetro, próximo dos 370 km que estimamos em nosso teste. Em viagens, dá para rodar três horas entre as recargas, que podem ser feitas a uma potência de até 120 km – que poderia ser maior, dado o preço do carro.

Fernando Pires/Quatro Rodas

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Também considerando o peso, a suspensão é surpreendentemente boa para a proposta do carro. Existe, sim, a questão da proposta do conforto que deixa a traseira um pouco mais solta que o desejável. No entanto, é capaz de controlar muito bem a carroceria em percursos mais esburacados, seja de terra ou de asfalto. Essa qualidade pode ser creditada à escolha por rodas aro 19″ calçadas com pneus 245/50, com perfil mais alto do que seria usual. As rodas parecem pequenas no carro, porém.

A desenvoltura do carro no trânsito só não é maior por conta do tamanho e, principalmente, por conta da sua largura (1,92 m sem os retrovisores). A tração traseira, aliás, deixa a tocada bem interessante, porque o carro tem peso suficiente para grudar nas curvas sem colocar os sistemas eletrônicos na berlinda.

Tesla genérico

Fernando Pires/Quatro Rodas

É bem verdade que a GAC pegou um atalho. O Hyptec HT é quase um clone do Tesla Model X, tanto em termos de design quanto em dimensões. É apenas um pouco menor, na verdade: tem 4,93 m de comprimento contra 5,03 m do carro original. O formato da carroceria e as portas pouco ortodoxas também podem ser vistos no Tesla e, de certa forma, tudo isso contribui com o bom espaço interno.

Se a dianteira se distingue pelas tomadas de ar e pelas setas, em barras verticais incrustradas no para-choque, o estilo da traseira do Hyptec HT parece misturar as linhas da primeira fase do Tesla com as da segunda fase, que passou a ter uma barra iluminada interligando as luzes. Mas, quando o Tesla mudou (em 2025), o GAC já seguia a moda das lanternas interligadas.

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Os Tesla têm o sistema Autopilot e podem rodar de forma autônoma dos Estados Unidos. O Hyptec HT, porém, fica no piloto automático adaptativo com assistente de congestionamento (stop&go), no monitor de pontos cegos, no assistente de faixas e na frenagem de emergência. Não faz mágica, mas entrega aquilo que se espera.

Além do mais, ao contrário do Model X, o Hyptec HT pode ser comprado com portas traseiras convencionais. É a versão Elite, de R$ 309.990, que também se difere por ter um teto panorâmico inteiriço e com cortina elétrica – que um Tesla também não tem. Por fim, este GAC tem uma coisa que nenhum Tesla tem no Brasil: garantia, de 8 anos ou 160.000 km.

O Hyptec HT um modelo muito interessante (e, talvez, até intrigante), mas com proposta peculiar e um preço alto, longe de ser um negócio de ocasião. Posto isto, as 172 unidades emplacadas entre junho e dezembro de 2025 não chegam a ser um mau resultado.

Teste – GAC Hyptec HT

Aceleração

0 a 100 km/h: 7,6 s

0 a 1.000 m: 28,6 s / 182,5 km/h

D 40 a 80 km/h: 2,9 s

D 60 a 100 km/h: 3,6 s

D 80 a 120 km/h: 4,7 s

60/80/120 km/h a 0: 14,3/26,9/70,4 m

Urbano: 19,6 kWh/100 km

Rodoviário: 19,8 kWh/100 km

Ruído interno

Neutro/RPM máx. : L.O./-

80/120 km/h: 64,7/67,5 dBA

Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h

Rotação do motor a 100 km/h: –

Volante: 2,5 voltas

Fernando Pires/Quatro Rodas

Ficha Técnica – GAC Hyptec HT Ultra

Preço: R$ 359.990

Motor: traseiro, 245 cv, 31,5 kgfm

Bateria: íons de lítio (LFP), 72,7 kWh

Câmbio: automático, 1 marcha, tração traseira

Direção: elétrica

Suspensão: duplo A (diant.), multilink (tras.)

Freios: disco ventilado (diant.), sólido (tras.)

Pneus: 245/50 R19

Dimensões: compr., 493,5 cm; larg., 192 cm; alt., 170 cm; entre-eixos, 293,5 cm; peso, 2.090 kg; porta-malas, 670 l + 70 l frontal

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