Ford F-Maxx: vídeo da picape gigante é o mais visto da história da Quatro Rodas
Este é o vídeo mais assistido da Quatro Rodas de todos os tempos. A Ford F-Maxx superou a marca dos 2 milhões de views em dezembro, logo após completar quatro anos no ar. Esse vídeo teve sua importância: além de termos dirigido essa picape de dimensões colossais na hidrelétrica Itaipu Binacional, outro colosso brasileiro, marcou o começo do estilo atual dos vídeos da Quatro Rodas. Como o vídeo foi publicado no site acompanhado de outro, aproveitamos a ocasião para trazer o texto de impressões que foi publicado na revista.
Publicado originalmente em novembro de 2021
Nunca se vendeu tantas picapes Ram no Brasil. Isso já vem chamando a atenção de outras fabricantes de picapes grandes como Chevrolet (com a Silverado) e a Ford (com a F-150). Nenhuma delas, porém, parece grande perto da F-Maxx, com seus 7,5 metros de comprimento. Na verdade, em seu entre-eixos de 5,95 m cabe com sobra uma Ram 1500.
A maior picape do Brasil é criação da Tropical Cabines, de Marechal Cândido Rondon (PR). Mas nosso contato com ela foi em um lugar proporcional, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores construções do mundo.
A picape das fotos é a 29ª e a mais completa unidade das 30 fabricadas entre 2005 e 2019. O que não mudou ao longo dos anos é que todas foram construídas sobre chassis de caminhões Ford, de F-12000 a Cargo 1723 com câmbio automatizado Torqshift de dez marchas. Mas a qualidade da transformação melhorou, ao longo dos 14 anos em que foi produzida, tanto quanto a ousadia aumentou.
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A cobertura de fibra sobre a caçamba é um clássico dos veículos da TropicalFernando Pires/Quatro Rodas
As primeiras unidades eram modestas, só com cabine dupla e até preservavam os faróis dos caminhões Ford. As últimas, porém, foram picapes espaçosas (literalmente) com três fileiras de bancos, sete lugares, seis portas e três tetos solares, todos com abertura elétrica.
Esta unidade foi mais além, com geladeira entre os bancos dianteiros, rede Wi-Fi para até 55 dispositivos (o mesmo sistema usado em ônibus) e sistema de som JBL com quatro subwoofers de 10” instalados em caixas seladas no assoalho.
Os faróis de led vieram de versão da Ford Ranger que só existe na Europa. As rodas aro 22,5 de alumínio polido combinam com os para–choques cromados, as exageradas saias laterais que servem como escada de acesso (ou arquibancada), com as maçanetas e com a enorme grade dianteira de aço inox.
As saias laterais servem tanto como escada como arquibancadaFernando Pires/Quatro Rodas
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Antes que você pergunte, as quatro portas traseiras são de fibra de vidro, assim como a estrutura responsável por alongar a cabine original de uma F-250. A caçamba é original, mas com para-lamas de fibra para cobrirem o rodado duplo traseiro. A qualidade construtiva da adaptação, porém, surpreende.
Painel veio da Ford F-250, mas quadro de instrumentos é do caminhão CargoFernando Pires/Quatro Rodas
A cabine une o melhor dos dois mundos. O painel é exatamente o mesmo das últimas Ford F-250 fabricadas no Brasil, ainda com visual do final dos anos 1990. Mas o quadro de instrumentos é do Ford Cargo e o pedal do freio de estacionamento deu lugar ao maneco (alavanca) do freio de estacionamento a ar (assim como o freio de serviço), próximo ao joelho direito do motorista. Sistemas pneumáticos também são usados no ajuste da coluna de direção e na regulagem, e no providencial amortecimento do banco do condutor, que aproveita a estrutura do banco dos Ford Cargo mais pesados.
Motorista tem banco com amortecimento a ar. Ao lado dele, uma geladeiraFernando Pires/Quatro Rodas
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Há bancos independentes para todos os ocupantes e rede Wi-Fi 4GFernando Pires/Quatro Rodas
São cinco telas, além de nove portas USB e saídas de ar para a terceira filaFernando Pires/Quatro Rodas
Os últimos Cargo tinham frente reta, mas as F-Maxx mantiveram a enorme capota (também de fibra), que cobre um motor seis-cilindros 6.7 turbodiesel da Cummins, semelhante ao usado pelas Ram 2500, mas com menos potência: são 230 cv contra 365 cv da Ram. Nesta unidade há um segundo mapa de injeção, ativado por um botão escondido no painel, que eleva a potência aos 400 cv. Contudo, a picape fica quase indomável e passa a gastar mais combustível. Outro botão abre uma válvula para deixar o ronco mais grave.
A mecânica pode ser de caminhão, mas o consumo é de uma picape grande, ficando ao redor dos 6 km/l na cidade e 9 km/l na estrada, de acordo com o proprietário, enquanto o caminhão faz 3 km/l. O segredo está no câmbio, que teve a relação de diferencial final alongada, o que influencia nas dez marchas. Afinal, mesmo que tenha caçamba, a F-Maxx não vai levar carga. Não à toa, retiraram feixes de molas das suspensões, sempre com eixo rígido.
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
É estranho lidar com a dupla personalidade ao volante da F-Maxx. O rodar é mais suave que o de um caminhão e mesmo o câmbio automatizado, que tem os mesmos botões dos Powershift na lateral da alavanca, troca as marchas sem trancos. Lidar com a largura da picape e com a direção, por esferas recirculantes, exige maior adaptação que os freios, sempre a tambor. Mas as dificuldades em manobras e para dobrar esquinas são as mesmas dos caminhões.
A enorme capota de fibra mal deixa ver o motor seis-cilindros turbodieselFernando Pires/Quatro Rodas
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Quem fez as F-Maxx não faz mais. Com o encerramento da produção de caminhões Ford no Brasil, em 2019, a Tropical correu às concessionárias para comprar as últimas F-250 para honrar seus contratos feitos, em sua maioria, com mineradoras que precisavam transportar muita gente sem abrir mão de robustez. A empresa até cogitou atualizar sua produção para veículos e chassis de outras fabricantes. Mas, como grande parte de seus profissionais estavam perto de se aposentar, optaram por encerrar as atividades da empresa.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Ficha técnica – Ford F-Maxx
Motor: diesel, diant., 6 cil. em linha, 24V, injeção direta, turbo, 6.693 cm3; 230 cv a 2.300 rpm, 83,7 kgfm a 1.100 rpm
Câmbio: automatizado, 10 m., tração traseira
Direção: hidráulica
Suspensão: eixo rígido (diant. e tras.)
Freios: tambor nas quatro rodas com ABS, ASR e EBD
Pneus: 275/80 R22,5
Dimensões: comprimento, 750 cm; largura, 250 cm; altura, 250 cm; entre- -eixos, 595 cm; peso, 6.000 kg
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Leia a materia completa na fonte original:
Ver no Quatro Rodas