Este Volvo EX90 de R$ 849.990 usa a tecnologia para nunca envelhecer; veja teste
Um bastidor interessante do nosso dia a dia na redação é que os carros que avaliamos ficam uma semana conosco e quem mais o dirige é o jornalista responsável e o piloto de teste, Leonardo Barboza, tanto para o teste em pista quanto para a produção fotográfica e audiovisual. Mas com o Volvo EX90 foi diferente.
O SUV elétrico ficou entre nós durante duas semanas e foi tempo suficiente para que três jornalistas da equipe (Henrique Rodriguez, Guilherme Fontana e Isadora Carvalho) tivessem algum tempo de experiência com ele. Isso possibilitou uma análise detalhada do SUV em diferentes contextos.
O Volvo EX90 é um modelo que merece mais tempo de convivência devido à abundância de tecnologia embarcada. É o primeiro veículo de produção da Volvo equipado com um Lidar, conjunto de 25 sensores e câmeras que o tornam preparado para a condução semiautônoma.
Área envidraçada reduzida e rodas de 22” conferem visual robustoFernando Pires/Quatro Rodas
Também é o primeiro modelo a contar com um microchip da Nvidia, que processa o sinal de dezenas de sensores que monitoram parâmetros do motor, multimídia e recursos de auxílio à direção.
Uma das funções mais interessantes é tornar o EX90 tão atualizável quanto um smartphone. A marca afirma que as atualizações ocorrem a cada duas semanas, permitindo novas funções na central multimídia, incremento de potência e torque, e até a liberação de direção autônoma. O EX90 tende a envelhecer bem.
O design impressiona, mas, por seguir o mesmo DNA do irmão menor EX30, com faróis pixelados em formato de martelo e grade completamente fechada, não surpreende. Mas o porte enche os olhos: são 2,98 metros só de entre-eixos, 5,04 m de comprimento, 1,96 m de largura e 1,74 m de altura.
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
Essas dimensões o tornam um SUV espaçoso, mesmo quando carrega sua capacidade máxima de passageiros (no caso, sete). Há um espaço generoso na segunda fileira de bancos. São 96 cm de espaço para pernas, segundo as nossas medições, e ainda sobram 82 cm para quem viaja nos dois bancos sobressalentes, mais adequados para crianças. E o EX90 ganha em espaço do BYD Tan, um de seus principais rivais, que, por sua vez, tem 92 cm de vão para as pernas dos passageiros da segunda fila e 75 cm para os da terceira.
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Mesmo com os sete assentos montados, ainda sobram 310 litros de capacidade no porta-malas, o que sobe para 655 litros com cinco ocupantes. Contar com um porta-malas de compacto com sete passageiros é a grande vantagem de SUVs de grande porte e o EX90 ganha do rival BYD Tan, que comporta 235 litros, mas perde (por pouco) do Kia EV9, que estreou em fevereiro e carrega até 330 litros.
Quadro de instrumentos tem 11,9”, enquanto a central multimídia tem 14,5”Fernando Pires/Quatro Rodas
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
Algo unânime na experiência a bordo do EX90 para os três jornalistas é que o modelo exige uma curva de aprendizado e isso ocorre pela ausência de botões físicos. Todas as funções são controladas pela central multimídia vertical de 14,5”, com sistema operacional Google. Após algum tempo nos adaptando à interface, encontramos os controles de ajuste dos retrovisores elétricos e do volante. E até uma simples abertura de porta-luvas tem de ser feita pela tela.
O fato de já ter o Google integrado, e também aplicativos nativos como Spotify e Google Maps, possibilita abandonar a dependência do smartphone. Entretanto, Henrique Rodriguez constatou que não logar com sua conta Google torna a experiência com a multimídia incômoda, pois torna impossível baixar outros aplicativos, como o Waze.
Espaço é generoso nas duas primeiras fileiras; bancos dianteiros são elétricos, aquecíveis e oferecem três tipos de massagemFernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
Para quem prefere o espelhamento com o smartphone, só vai ser atendido se tiver iPhone, pois o sistema oferece apenas conexão com Apple CarPlay. Tanto na minha experiência quanto na de Guilherme Fontana, a conexão funcionou a contento e o pareamento foi intuitivo – além de usufruirmos do Waze exibido no quadro de instrumentos, função liberada na atualização mais recente.
A Volvo foi uma das pioneiras a oferecer o modo de condução one pedal drive, que permite conduzir apenas com o pedal do acelerador e torna a regeneração de energia nas frenagens mais potente. Entretanto, as desacelerações são bruscas e chegam até a mexer com o estômago.
Na segunda fileira, há controles de ar-condicionado; chave pode ser recarregadaFernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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Henrique me alertou ainda que o pedal do freio faz um barulho estranho (um ruído de plástico), fato endossado tanto por mim quanto por Guilherme, e que causou estranheza por ser um modelo de luxo. Mas poder ouvir o barulho do pedal com o carro em movimento só é possível graças a um excelente isolamento acústico da cabine, combinado ao fato de ser um SUV movido por eletricidade.
Os algoritmos integrados também servem para segurança, e a câmera instalada abaixo do volante monitora o comportamento do condutor. Caso esteja distraído, o motorista sentirá cutucões transmitidos pelos bancos e pelo volante, algo como uma “bronca”. E ele chega a ser inconveniente ao nos cutucar por olhar para a central por alguns segundos, enquanto estamos parados em um semáforo.
Teto de vidro tem proteção ultravioleta; sistema de som oferece experiência imersivaFernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O SUV traz dois motores elétricos, um em cada eixo, que entregam 517 cv e 92,8 kgfm. Em nossa pista, o 0 a 100 km/h foi cumprido em 4,8 segundos, um milésimo de segundo mais rápido que o Tan – que fez em 4,9 s, tem também duplo motor, mesma potência, mas com torque de 71,4 kgfm. O Volvo também se saiu melhor nas retomadas, levando apenas 1,82 segundo de 40 a 80 km/h, enquanto o concorrente da BYD precisou de 2,34 s.
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Outra medição na pista que impressionou foi a autonomia. No ciclo misto (urbano/rodoviário), a média foi de 5,1 km/kWh, proporcionando uma autonomia de 560 km, número próximo do ciclo europeu (WLTP), que informa 606 km, e bem melhor que o divulgado pelo Inmetro, que é de 459 km. A bateria tem capacidade de 111 kWh e há possibilidade de recargas rápidas em até 250 kW, que permitem recarregar o carro em 30 minutos.
Há espaço na frente para 49 litros, além do compartimento no porta-malasFernando Pires/Quatro Rodas
O comportamento dinâmico exemplar, com suspensão pneumática que se antecipa às condições do piso e torna o rodar sem solavancos, é opinião unânime. E, mesmo dando a sensação de que o carro desliza no asfalto, a condução não é anestesiada e permite uma direção mais esportiva, em especial quando os 517 cv ficam à disposição no kickdown do acelerador.
O Volvo EX90 integra uma nova categoria de SUVs, os elétricos de sete lugares. Esse segmento foi inaugurado no Brasil pelo BYD Tan, em fevereiro de 2022. Três anos depois, além do EX90, temos o Kia EV9, o mais potente, com 385 cv proporcionados por dois motores elétricos, um em cada eixo.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O SUV elétrico da Volvo é o mais caro, ao custar R$ 849.990, enquanto o Kia EV9 sai por R$ 749.990 e o BYD Tan, por R$ 536.800. São diferenças significativas, mas o EX90 é o único que pode se comportar como um smartphone e, na próxima atualização, dirigir sozinho.
Veredicto Quatro Rodas
Volvo EX90 tem desempenho e comportamento dinâmico exemplares e, com atualizações remotas, torna-se sempre atual, mas o preço assusta.
Ficha Técnica – Volvo EX90
Aceleração
• 0 a 100 km/h: 4,8 s
• 0 a 1.000 m: 25,20 s / 180,20 km/h
• Velocidade máxima: n/d
• 40 a 80 km/h: 1,8 s
• 60 a 100 km/h: 2,3 s
• 80 a 120 km/h: 3,0 s
• 60 km/h a 0: 13,9 m
• 80 km/h a 0: 24,0 m
• 120 km/h a 0: 55,6 m
• Urbano: 5,2 km/kWh
• Rodoviário: 5,0 km/kWh
Ruído interno
• Neutro / RPM máx.: – dBA
• 80 km/h: 59,2 dBA
• 120 km/h: 66,7 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: não aplicável
Volante: 2,7 voltas
Teste Quatro Rodas – Volvo EX90
• Motor: dois elétricos, dianteiro e traseiro, 517 cv, 92,8 kgfm
• Bateria: íon-lítio, 111 kWh, 614 km de autonomia (WLTP)
• Câmbio: 1 marcha, tração integral
• Suspensão: dupla A (dianteira), multilink (traseira)
• Freios: disco nas quatro rodas
• Direção: elétrica
• Rodas e pneus: Dianteiro: 265/40 R22 – 106H / Traseiro: 295/35 R22 – 108H
• Dimensões: comprimento 5,04 m, largura 1,96 m, altura 1,74 m, entre-eixos 2,98 m, peso 2.818 kg, porta-malas 655 litros
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Leia a materia completa na fonte original:
Ver no Quatro Rodas