Entenda como a injeção direta aumenta a potência e o torque do seu carro
O principal conceito desta tecnologia e, por consequência, seu ponto forte é injetar o combustível diretamente na câmara de combustão, com a injeção ocorrendo em alta pressão. Enquanto um sistema tradicional indireto injeta gasolina no coletor de admissão a cerca de 4 bar, o sistema direto pode operar acima de 200 bar, formando partículas microscópicas.
Essa atomização beneficia a queima da mistura, o que se traduz em redução de consumo e maior disponibilidade de potência. A solução, curiosamente, não é nova: estreou em carros de série no clássico Mercedes-Benz 300SL em 1955.
O turbocompressor atua em conjunto, utilizando o fluxo dos gases de escape para pressurizar mais ar para dentro do motor. Em carros compactos, essa pressão costuma variar entre 0,8 e 1,4 bar, o que garante a densidade de ar necessária para multiplicar a entrega de desempenho de blocos cada vez menores.
Na injeção direta, o injetor joga o spray de combustível diretamente na câmara de combustãoDivulgação/Audi
Segundo o engenheiro Everton Silva da SAE Brasil, diferentemente da tecnologia convencional (indireta) que ocorre em baixa pressão, o sistema de injeção direta faz com que o combustível seja mais bem pulverizado.
Assim, formam-se gotículas microscópicas, o que auxilia na vaporização, beneficiando a queima da mistura e auxiliando na redução do consumo de combustível e na disponibilidade maior de potência e torque.
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A combinação de motores turbo com injeção direta mudou o padrão de eficiência no mercado brasileiro. Se antes um propulsor de 1.0 rendia cerca de 70 cv, hoje a tecnologia faz com que entreguem mais potência e torque do que blocos de 2.0 de duas décadas atrás.
Por outro lado, algumas marcas escolhem caminhos mais conservadores pensando no custo de propriedade do consumidor. O Chevrolet Onix, por exemplo, utiliza motor turbo aliado à injeção indireta tradicional. Por isso o hatch e o sedã 1.0 turbo têm torque de 16,8 kgfm, enquanto o Sonic e o Tracker, que têm motor 1.0 turbo com injeção direta, têm os mesmos 115 cv (um ajuste por conta de impostos) e 18,9 kgfm.
Como a engenharia resolve o desgaste
Sistema de injeção diretaDivulgação/Audi
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Essa evolução técnica levanta uma dúvida constante entre os consumidores: tamanha complexidade reduz a vida útil do carro?
As fabricantes desenvolvem os motores modernos de forma a suportar as cargas previstas em projeto e acompanhar a vida útil média do veículo, estimada em cerca de 300.000 km. Não há risco de quebra prematura apenas por causa das pressões de trabalho mais elevadas.
Para alcançar essa durabilidade, o desenvolvimento herda soluções extremas das pistas. Tecnologias testadas exaustivamente na Fórmula 1 acabam sendo adaptadas pelas marcas para garantir a resistência dos carros de rua, absorvendo o esforço com limites de segurança generosos em relação ao passado.
Os componentes internos também mudaram. Peças como pistões, anéis e bronzinas recebem materiais de melhor desempenho. Além disso, a tolerância na montagem é bem menor e os sistemas de resfriamento trabalham com um controle térmico mais avançado para otimizar a combustão.
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Exigências rigorosas na oficina
Troca de óleo não pode ser ignorada em carros turboMarco de Bari/Quatro Rodas
Se a durabilidade estrutural está garantida, a complexidade cobra a conta na hora da manutenção. Com tolerâncias mínimas de funcionamento, o óleo lubrificante não pode ser escolhido apenas pela sua viscosidade. É mandatório utilizar produtos que cumpram as exigências químicas específicas de cada fabricante.
O sistema de arrefecimento é outro ponto sensível. A temperatura de trabalho é crítica, exigindo a troca do líquido no prazo determinado pelo manual. A reposição deve ser feita exclusivamente com água desmineralizada, já que a água de torneira possui minerais que causam oxidação interna.
A qualidade do combustível tem impacto na conta da oficina. Gasolina adulterada ou etanol com excesso de água contaminam a câmara de combustão, prejudicam a lubrificação e podem condenar componentes caros do sistema de alta pressão.
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Carbonização exige atenção
Carbonização na sede de válvulaReprodução/Internet
Um efeito colateral conhecido da injeção direta é o acúmulo de carvão. Como o combustível é injetado direto no cilindro, ele deixa de passar e “lavar” as válvulas de admissão. Com o tempo, os depósitos sólidos podem arranhar a sede das válvulas e gerar problemas crônicos como a pré-ignição.
Para mitigar o problema, algumas montadoras adotam sistemas duplos, combinando injeção direta e indireta. A ação conjunta ajuda a manter as válvulas e a cabeça dos pistões limpas a longo prazo, garantindo a eficiência do conjunto ao longo dos anos.
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