Chevrolet Captiva EV tem tamanho certo e preço contra BYD, Geely e Leapmotor
O Chevrolet Captiva está de volta ao Brasil, mas diferente do modelo vendido por aqui entre 2008 e 2017. Agora ainda maior, o SUV médio é sempre elétrico, tem origem chinesa e aposta na boa relação custo-benefício. Ele ocupa a faixa de versões intermediárias e de topo de SUVs compactos a combustão, e dos médios básicos.
Em versão única, Premier, o Captiva EV (sobrenome obrigatório para identificar a nova geração) sai por R$ 199.990. Ou seja, próximo do cobrado por um Volkswagen T-Cross Highline, um Nissan Kicks Platinum e mais barato que um Honda HR-V Advance.
QUATRO RODAS andou em primeira mão no modelo, cuja unidade foi gentilmente cedida pela concessionária Chevrolet West Motors, de Piracicaba (SP) – a quem fica o agradecimento por mais um empréstimo. Em agosto de 2025, também dirigimos o Spark EUV com exclusividade pela concessionária.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Disfarçando as evidências
Assim como o Spark EUV, o Captiva EV tem origem chinesa a partir do grupo SGMW, formado por SAIC, General Motors e Wuling, na China. Por lá, o modelo é um Wuling Starlight S. Aqui, por permissões da parceria, ele é vendido como Chevrolet Captiva EV. O Spark EUV, no mercado chinês, é um Baojun Yep Plus.
Outra semelhança entre os modelos está na montagem nacional. O Spark EUV já começou a ser montado em esquema SKD em Horizonte (CE), no Polo Automotivo do Ceará (PACE), antiga fábrica da Troller. Ainda neste ano, o Captiva EV também será montado por lá.
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
As trocas de marcas e nomes incluem ainda pequenas alterações visuais, que buscam adequar o modelo da Wuling à identidade da Chevrolet. Mas com limitações. A dianteira, além da gravata da Chevrolet, ganha uma faixa em preto ligando as peças de iluminação superiores. A abertura inferior do para-choque também é maior.
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Fora isso, permanece a separação dos faróis (que são full led, com acionamento automático dos fachos baixo e alto) típica de modelos chineses, mas que também tem ganhado espaço da gama global da americana.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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A traseira, no entanto, se parece com a de um legítimo Chevrolet, mesmo não tendo alterações além dos logotipos. Isso acontece graças às lanternas, com formato que remetem a modelos como Equinox, Traverse, Trax e Blazer EV, todos nascidos como GM. Ou seja, passa facilmente despercebido entre os pares americanos.
As laterais têm linhas limpas e rodas de 18 polegadas com pneus 235/55. Este, aliás, é o melhor ângulo para se falar sobre as dimensões do Captiva EV que, pode não aparentar, mas se aproximam das de um Jeep Commander. São 4,74 m de comprimento (apenas 3 cm a menos do que um Commander), 1,67 m de altura e 2,80 m de entre-eixos.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Interior é clean e sobra espaço
Se o exterior do Captiva EV tem ares de GM, o interior é genérico. Ele repete a tendência de diversos outros modelos, de diversas outras marcas, ao ter um painel de linhas predominantemente horizontais, com visual limpo, console central elevado e destaque para as telas.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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Para tentar compensar a falta de identidade, o modelo recorre ao acabamento – que é bom e fica acima dos modelos que ocupam a mesma faixa de preço. Grande parte do painel tem materiais emborrachados ou é acolchoado e revestido com material sintético. O preto é quebrado por detalhes que simulam aço escovado, em um tom puxado para o bronze. A combinação dá certo.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Também merece destaque a quantidade (e o tamanho) de porta-objetos espalhados pela cabine. Sobre telas: o quadro de instrumentos tem 8,8″ e o mesmo layout minimalista do Spark EUV; a multimídia tem grandes 15,6″, layout típico de modelos vindos da China (e o mesmo do Spark), e Android Auto e Apple CarPlay. A conexão com as plataformas, no entanto, é feita apenas via cabo.
O ar-condicionado é automático e digital, tem comandos físicos, mas é de apenas uma zona. Há, ainda, banco do motorista com ajustes elétricos, teto solar panorâmico com abertura, sistema de câmeras 360°, sensores de estacionamento apenas traseiros e porta-malas com abertura automática. Por fim, o pacote ADAS inclui ACC, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa e assistente de curvas.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
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Em resumo, o Captiva EV tem uma boa lista de equipamentos, mas importantes faltas como alertas de pontos cegos, conectividade sem fio, sensores de estacionamento dianteiros, carregador por indução e ar bizona.
Espaço não é problema para o SUV, porém. Mesmo pessoas com mais de 1,80 m podem viajar com conforto no banco traseiro (que pode reclinar a até 30°), e há possibilidade de se levar mais de dois ocupantes, também graças ao bom espaço e ao assoalho plano. O console central tem saídas de ar e portas USB (uma do tipo A, outra do tipo C), mas não invade a área das pernas.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O porta-malas, por sua vez, tem bons 403 litros (pouco menos do que os 410 litros de um Jeep Compass), mas espera-se que um tampão seja oferecido ao menos como acessório para esconder as bagagens ali colocadas.
Sensação de SUV compacto
Para empurrar os 1.800 kg do Captiva EV, há um motor elétrico dianteiro de 201 cv de potência e 31,6 kgfm de torque. Números interessantes e suficientes para que ele vá de 0 a 100 km/h, segundo a Chevrolet, em 9,9 segundos.
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–Fernando Pires/Quatro Rodas
Ou seja, ele é grande e pesado, mas não demonstra ao volante – foi o que sentimos no curto contato com o modelo. Conduzi-lo é fácil e não exige esforço, tanto no volante, cuja direção tem ajuste leve e direto, quanto no pedal, já que o torque instantâneo dá fôlego de sobra em acelerações e ultrapassagens. No modo esportivo (há ainda os modos padrão, o eco e o eco+), ele chega a destracionar as rodas dianteiras ao afundar o acelerador.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Ajuda também o bom ajuste da suspensão, ligeiramente rígida, que mantém a boa estabilidade e não faz com que ele seja “gelatinoso” como outros SUVs chineses. Pelo contrário: em buracos, valetas ou imperfeições do solo, é possível ouvir e sentir a suspensão trabalhar; isso sem prejudicar o conforto a bordo.
Sua bateria tem 60 kWh e pode ser recarregada em carga lenta a até 6,6 kW, ou rápida, a até 120 kW. Com uma carga, segundo a homologação da GM junto ao Inmetro, a autonomia projetada é de 304 km. Para rodagens urbanas, considere números cerca de 30% melhores.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Em uma acertada estratégia para disputar contra os chineses, o Captiva EV se beneficia da marca Chevrolet. Ou seja, dá segurança a quem tem preconceito com modelos vindos da China – o que será reforçado com sua montagem nacional. Além disso, seu custo-benefício o torna atraente.
Ficha Técnica – Chevrolet Captiva EV
Motor: elétrico, dianteiro, 201 cv, 31,6 kgfm
Câmbio: autom., 1 marcha, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), independente multilink (tras.)
Freios: a disco nas quatro rodas
Pneus: 235/55 R18
Dimensões: compr., 474,5 cm; larg., 189 cm; altura, 167,5 cm; entre-eixos, 280 cm; peso, 1.800 kg; porta-malas, 403 l; vão livre do solo, 155 mm
Bateria: íons de lítio, 60 kWh
Carregamento: Tipo 2 (AC) a 6,6 kW; CCS2 (DC) a 120 kW
Alcance: 304 km (Inmetro)
Garantia: 3 anos (8 anos para bateria)
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Leia a materia completa na fonte original:
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