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Carros elétricos na China ficam mais caros após aumento no custo de produção

Carros elétricos na China ficam mais caros após aumento no custo de produção

Depois de uma intensa guerra de preços que obrigou o governo chinês a intervir, os carros elétricos na China começaram a ficar mais caros. Mais de 15 fabricantes na China, incluindo marcas locais como BYD e Xiaomi, além de joint ventures formadas por Volkswagen e Toyota, anunciaram reajustes nas tabelas de seus veículos ou em pacotes de equipamentos opcionais. O motivo é o mesmo para todas elas: o encarecimento abrupto na cadeia de suprimentos.

A expansão massiva dos servidores dedicados à inteligência artificial generativa desviou o foco da produção global de semicondutores. Como resultado, a oferta de chips de armazenamento despencou, gerando repasses de até 180% nos últimos três meses. Componentes de memória RAM DDR5 de alto desempenho subiram mais de 300%. O impacto direto no custo de produção de um veículo conectado varia entre 400 e US$ 1.000 (cerca de R$ 2.000 a R$ 5.000 em conversão direta).

Xiaomi SU7Xiaomi/Divulgação

Em paralelo, o carbonato de lítio, matéria-prima essencial para as baterias, quase triplicou de valor no mercado internacional. A tonelada do mineral saltou de US$ 11.000 em julho de 2025 para quase US$ 29.400 neste mês (R$ 147.000). Cobre e alumínio também registraram recordes de cotação. Somados, esses metais adicionam US$ 300 (R$ 1.500) ao custo de fabricação de um modelo de porte médio.

Na prática, as fabricantes repassam essa conta ao consumidor de diferentes formas para evitar perdas no lucro. A BYD optou por encarecer o pacote opcional de assistência à condução (ADAS) de sua linha de veículos. O sistema passou de US$ 1.500 para US$ 1.800, um acréscimo de R$ 1.500 na conversão direta. O sedã Xiaomi SU7, recém-lançado, sofreu um aumento linear de US$ 600 (cerca de R$ 3.000) em todas as versões disponíveis.

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Marcas tradicionais também ajustaram tabelas para manter as operações saudáveis. A linha de elétricos ID da Volkswagen na China encareceu entre US$ 600 e US$ 1.000, enquanto o SUV Toyota bZ4X teve o preço elevado em US$ 900. A Tesla negou reajustes nos preços de vitrine do Model Y, mas eliminou os planos de financiamento com taxa zero, o que aumenta o custo efetivo do carro ao fim do prazo de pagamento por conta da incidência de juros.

Divulgação/Volkswagen

O repasse aos clientes é uma manobra de sobrevivência financeira. Dados da associação chinesa de carros de passeio (CPCA) indicam que a margem de lucro da indústria local caiu para 3,2% no primeiro trimestre deste ano, atingindo um piso histórico. O lucro total do setor recuou 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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Fabricantes focadas em modelos de alto custo, com margens superiores a 20%, conseguem absorver o impacto de forma mais eficiente sem penalizar o cliente. No entanto, montadoras generalistas e de entrada operam perto do prejuízo.

A elevação dos custos de produção na China também pode afetar outros países como o Brasil. A maioria dos carros chineses chegam importados e os que estão sendo montados aqui utilizam peças importadas. Com o repasse na origem, a tendência é que as matrizes reduzam a margem de manobra de suas filiais estrangeiras, limitando futuros descontos em mercados.

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