BYD perde processo após atacar Stellantis por carros com correia banhada a óleo
A ofensiva da indústria chinesa na Europa ultrapassou os limites da concorrência leal na visão da justiça italiana. A disputa entre BYD e Stellantis nos tribunais terminou com a condenação da fabricante asiática por uma campanha publicitária considerada denegritória. O alvo eram os problemas crônicos de confiabilidade dos motores PureTech.
Batizada de “Purefication”, a ação de marketing da BYD na Itália não citava nominalmente a Stellantis, mas deixava clara a referência às quatro primeiras letras do nome do motor rival. A campanha oferecia descontos de até 10.000 euros para proprietários de veículos com problemas mecânicos trocarem seus carros por modelos elétricos ou híbridos da marca chinesa.
A propaganda da BYD (traduzida aqui por IA) apareceu em diversos lugares na ItáliaReprodução/Internet
O Instituto de Autodisciplina Publicitária da Itália determinou a retirada imediata do material de circulação em TV, imprensa e redes sociais. O órgão classificou a estratégia como enganosa e desleal. A decisão reforça que a agressividade comercial não pode se basear na difamação técnica de componentes da concorrência.
O problema da correia banhada a óleo
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O centro da polêmica reside na arquitetura dos motores 1.2 PureTech a gasolina. O projeto original utilizava uma correia dentada imersa em óleo. A solução visava reduzir o atrito e melhorar a eficiência energética, mas resultou em dores de cabeça para os proprietários.
A interação química entre o lubrificante e o material da correia causa a degradação prematura do componente. Fragmentos da borracha se soltam e entopem o pescador da bomba de óleo, comprometendo a lubrificação e podendo fundir o motor. A Stellantis substituiu o sistema por corrente metálica nas novas versões híbridas para estancar as queixas.
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As frases usadas pela BYD na campanha exploravam exatamente esse temor técnico. Slogans como “Sua correia está indo embora?” e “Tem uma correia em banho de óleo?” foram considerados ataques diretos e ilegais pela justiça.
A vitória nos tribunais ocorre em um momento de reestruturação da imagem da Stellantis. Antonio Filosa, CEO global da marca Jeep e executivo influente no grupo, lidera movimentos para recuperar a confiança dos consumidores. A empresa ampliou a garantia para veículos afetados e implementou programas de compensação na Europa.
Correia banhada a óleo ressecadaReprodução/Internet
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Chevrolet sofre com o mesmo sistema
A tecnologia de correia banhada a óleo não é exclusividade dos franceses e italianos. No Brasil, a General Motors enfrenta cenário semelhante com a família de motores CSS Prime. Os propulsores 1.0 aspirado, 1.0 turbo e 1.2 turbo que equipam Onix, Onix Plus, Tracker e Montana utilizam o mesmo princípio de funcionamento.
Relatos de proprietários e mecânicos apontam para a desintegração da correia antes do prazo de troca estipulado pela fabricante. A contaminação do óleo por combustível, comum em trajetos curtos e com motor frio, acelera o ataque químico à borracha. Assim como no caso da Stellantis, os resíduos bloqueiam a passagem de óleo e geram falhas graves de lubrificação.
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