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Anfavea diz que manter isenção para SKD e CKD vai gerar demissões em massa

Anfavea diz que manter isenção para SKD e CKD vai gerar demissões em massa

O prazo de isenção de imposto de importação para veículos eletrificados CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), ou seja, desmontados e semidesmontados, acaba ema 31 de janeiro de 2026. Mas há quem esteja trabalhando para estender esse benefício.

A medida, autorizada por seis meses, foi deliberada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) em julho de 2025, para uma cota de US$ 463 milhões que deixaria de recolher impostos. À época, houve uma disputa nos bastidores entre as montadoras tradicionais, representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a BYD, principal beneficiada.

Henrique Rodriguez/Quatro Rodas

Inicialmente, a BYD queria dois anos de isenção de imposto de importação para esses veículos desmontados, mas acabou conseguindo seis meses. Segundo fontes do setor, a montadora está negociando com o governo para garantir mais seis meses. Isso porque existe um gatilho na medida que pode prorrogar a isenção por esse período, o que poderia ser feito por ofício do governo federal.

Outro detalhe que corrobora com esse calendário da BYD é que as obras dos prédios na planta de Camaçari (BA) que vão compor as partes de estamparia, solda e pintura estão em ritmo acelerado e devem ficar prontos ainda em 2026.

Questionada por QUATRO RODAS sobre as negociações com o governo, a BYD não respondeu até a publicação. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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A GWM é outra que se beneficiou com as isenções. Porém, a montadora afirma não tem um posicionamento porque não fez nenhum pedido de isenção ou prorrogação de cotas.

Em nota encaminhada a QUATRO RODAS, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirma que “não há pleito do setor para nova prorrogação”.

Com isso, o cronograma de alíquotas de veículos montados e semidesmontados (SKD) segue entre 25% e 30% de importação, e de 35% a partir de 1º de julho de 2026. Já os desmontados (CKD), de 14% de taxação, que vai passar para 35% a partir de 1º de janeiro de 2027.

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Cronograma de alíquotas de importação para eletrificados CKD e SKDAnfavea/Divulgação

Temerosa com a situação, a Anfavea divulgou, nesta semana, um estudo no qual afirma que a substituição da produção automotiva completa no Brasil pela montagem de kits importados pode resultar na eliminação de 69.000 empregos diretos, o equivalente a 75% da força de trabalho atual do setor, além de afetar aproximadamente 227 mil postos indiretos ao longo da cadeia automotiva.

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Em outro ponto, o levantamento estima uma perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um ano. As perdas em exportações de veículos seriam de R$ 42 bilhões durante doze meses.

Igor Calvet, presidente da AnfaveaAnfavea/Divulgação

A entidade defende o encerramento do benefício em 31 de janeiro. De acordo com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a eventual prorrogação da medida representa um risco para a indústria nacional.

“As empresas conseguiriam se adaptar adotando um modelo simplificado de produção, mas o problema seria relevante para a cadeia como um todo: perderiam as empresas fornecedoras, os trabalhadores, a engenharia nacional, a academia e o poder público. Ou seja, a sociedade brasileira inteira.”

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Por meio do estudo, a Anfavea ressalta que a ampliação da entrada de veículos eletrificados importados sem agregação de valor local tende a pressionar fabricantes já instalados no país, reduzir investimentos em desenvolvimento tecnológico e enfraquecer a competitividade industrial brasileira.

Para Calvet, o problema não é o uso pontual dos modelos, mas a manutenção de incentivos sem contrapartidas. “SKD e CKD não são processos prejudiciais em si. Muitas montadoras iniciaram suas operações no Brasil por esses modelos, recolhendo os devidos impostos e estruturando, a partir disso, sua produção local. Outras valem-se do modelo para atender nichos de mercado. O problema é manter incentivos para a simples montagem em alto volume sem exigência de aporte de valor nacional, o que ameaça a sobrevivência da indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados no país.”

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