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A bizarra história dos Chevrolet Monza enviados da Venezuela de volta ao Brasil

A bizarra história dos Chevrolet Monza enviados da Venezuela de volta ao Brasil

Na Venezuela desde 1944, a General Motors destacou-se pela oferta de modelos variados, como o alemão Opel Rekord, o inglês Vauxhall Viva e os americanos Buick Skylark e Pontiac Tempest. Não poderiam faltar os modelos da divisão Chevrolet, como o enorme Impala, o esportivo Camaro e o brasileiríssimo Monza.

Derivado do Opel Ascona alemão, o Chevrolet Monza entrou para a lista dos dez automóveis mais vendidos no Brasil já na estreia, em 1982.

Dois anos depois, alcançou a marca de 100.000 unidades produzidas. O modelo manteve-se na liderança do mercado entre 1984 e 1986, façanha que dificilmente será repetida por outro carro da mesma faixa de porte e de preço.

Duas poltronas de couro no lugar dos esportivos bancos Recaro

O Monza ficou na vice-liderança em 1987 e, no ano seguinte, vendeu mais que o dobro do principal concorrente, o Volkswagen Santana.

Nem mesmo a aposentadoria da carroceria hatch em 1989, substituída pelo então novo Kadett, arrefeceu a demanda. O público fiel aceitava pagar ágio e ainda aguardar meses na fila de espera.

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A fábrica de São Caetano do Sul (SP) operava no limite. Além do mercado interno, produzia o modelo para Chile, Uruguai, Colômbia e Equador.

A legislação venezuelana restringia a importação de veículos completos. Por isso, o Monza era enviado para a fábrica de Valência desmontado, dentro do conceito logístico CKD (completely knock-down).

Preferência local: influência dos EUA. O câmbio automático tinha só três marchas

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A apresentação do Monza na Venezuela foi marcada por um show acrobático do piloto Carlos Cunha na capital Caracas. O modelo teve bom desempenho comercial a partir de 1985, mas medidas econômicas do governo provocaram queda nas vendas em 1989. Gasolina mais cara e a chegada do Opel Vectra também contribuíram para o encalhe dos estoques.

O imprevisto levou a GM do Brasil a considerar uma estratégia incomum: a repatriação dos Monza exportados.

O entre-eixos era de 2,58 metros

A operação dependia de autorização da Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex), já que a importação de automóveis era proibida entre 1976 e 1990. Os trâmites permanecem pouco esclarecidos, guardados por ex-executivos e autoridades da época.

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Nenhuma das versões venezuelanas concorria diretamente com a brasileira SL/E, a mais vendida. Entre os sedãs, a versão de entrada era a SL, com rodas de aço aro 13 e bancos de tecido.

No topo estava a Classic SE, equipada com rodas de liga leve aro 14, bancos de couro e trio elétrico. A maioria dos sedãs vinha com câmbio automático de três marchas.

Clima tropical e ar-condicionado de série dispensavam a presença do desembaçador traseiro

Os registros indicam que o lote venezuelano era composto por 416 unidades, com características distintas em relação ao modelo nacional. Nenhum exemplar tinha desembaçador no vidro traseiro.

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Uma diferença gerou transtornos no Brasil: o número do chassi foi marcado manualmente em São Caetano do Sul, pois a legislação venezuelana exigia apenas uma plaqueta de identificação.

A desvalorização de ontem virou atrativo hoje. A história do Monza venezuelano foi resgatada pelo falecido colecionador Luís Carlos Duarte e segue preservada por entusiastas.

Ficha técnica – Chevrolet Monza “Venezuela” S/R 1989

• Motor: 4 cilindros em linha, 2.0 a gasolina, carburador duplo, 100 cv

• Câmbio: automático, 3 marchas, tração dianteira

• Dimensões: entre-eixos de 258 cm; peso de 1.130 kg

• Pneus: 195/60 HR 14

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