AutoCidade Editorial

Ram lança Dakota Big Horn por R$ 249.990: a picape de entrada que não abre mão dos 200 cv, do 4x4 com reduzida e da tela de 12,3 polegadas

Ram lança Dakota Big Horn por R$ 249.990: a picape de entrada que não abre mão dos 200 cv, do 4x4 com reduzida e da tela de 12,3 polegadas

Há uma filosofia silenciosa nas versões de entrada de qualquer picape que preza por reputação: tirar o máximo que o preço menor permite sem que o cliente sinta que foi rebaixado. É o delicado equilíbrio entre "acessível" e "pior". E a Ram, ao lançar a Dakota Big Horn por R$ 249.990, optou claramente por tirar o que não vai ser sentido na carne — os estribos laterais e os cromados — e manter o que importa quando você está na estrada, no barro ou carregando uma carga de meia tonelada.

O que importa, nesse caso, é um motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm de torque disponível já a 1.500 rpm. Um câmbio automático ZF de oito marchas, referência de qualidade em transmissões automáticas. Tração 4x4 com reduzida e seletor giratório de modos. Uma central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. E um porta-malas — caçamba, perdão — de 1.210 litros com capacidade de carga de 1.020 kg e reboque de até 3.500 kg.

Os cromados ficaram para as versões Warlock, Laramie e Laramie Night Edition. Na Big Horn, a proposta é: tudo que você precisa, sem o que você provavelmente nunca ia usar.

A primeira picape média da Ram desde 2009

Um detalhe que passa despercebido para quem não acompanha a história da marca: a Dakota representa a primeira picape média da Ram desde 2009, quando a marca se tornou uma divisão independente da Chrysler — hoje Stellantis. Por quase 15 anos, a Ram no Brasil se concentrou nas pick-ups grandes, especialmente a Ram 1500, que virou sinônimo de picape de luxo para o mercado nacional.

Entrar no segmento médio, onde vivem Toyota Hilux, Volkswagen Amarok, Chevrolet S10 e Ford Ranger, é um movimento diferente. É uma aposta em volume onde antes a Ram apostava em margem. A Big Horn é a ponta de lança dessa estratégia: um preço de entrada que leva a Dakota para dentro do orçamento de quem não estava no radar da marca antes.

R$ 249.990 em venda direta posiciona a Big Horn abaixo das versões mais equipadas de vários concorrentes diretos — o que, numa categoria onde os preços facilmente superam R$ 280.000, é uma proposta com potencial de conversão rápida.

O que a Big Horn entrega de fato

Com 5,35 metros de comprimento, a Dakota não é pequena em nenhum sentido da palavra. É uma picape média com dimensões que seriam consideradas grandes em qualquer contexto europeu — e que no Brasil se encaixam confortavelmente no segmento sem causar estranheza.

O motor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, com 200 cv, não vai ganhar corridas contra nenhum esportivo, mas vai off-road, puxa reboques e acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos com 5,35 metros de picape nas costas — o que é perfeitamente adequado para o uso para o qual essa classe existe. A velocidade máxima de 180 km/h dificilmente será explorada por quem vai usá-la para o que ela foi projetada, mas é bom saber que está lá.

A tração 4x4 com reduzida é o que separa uma picape de verdade de um SUV com tampa de caçamba. A Big Horn mantém esse sistema intacto, com seletor giratório para escolha entre 2H, 4H e 4L. Quem compra picape sabe por que isso importa.

A central multimídia de 12,3 polegadas com conectividade sem fio é um diferencial real na categoria de entrada. Em muitos concorrentes, a versão mais barata ainda usa fio e tela menor. A Ram optou por não cortar aqui — uma decisão que vai aparecer nos testes comparativos e nas avaliações de primeiros proprietários.

O que fica de fora e por que (provavelmente) não importa

A comparação entre a Big Horn e as versões superiores inevitavelmente vai mostrar a lista do que ficou de fora: estribos laterais, acabamentos cromados e outros itens de adorno que tornam a Laramie uma picape que parece saída de um episódio de série americana de milionário rural. A Big Horn é mais discreta. Mais sóbria. Menos fotogênica para quem gosta de postar foto do carro com o por do sol ao fundo.

Para o comprador pragmático — o fazendeiro, o construtor civil, o profissional liberal que precisa de capacidade de carga real — a ausência de cromados é exatamente zero problema. É até uma vantagem de manutenção, considerando que cromados arranhados numa picape são como cabelo branco: aparecem exatamente quando você menos quer.

O quadro de instrumentos digital e os faróis full LED, que a Big Horn mantém, são os equipamentos que fazem diferença na experiência cotidiana. O resto é estética — e estética pode ser adicionada no aftermarket por quem quiser.

O mercado de picapes médias em 2026

A entrada da Ram Dakota com uma versão de acesso abaixo de R$ 250.000 acontece num momento em que o mercado de picapes médias está mais competitivo do que nunca. A Toyota Hilux continua sendo o padrão de referência, a Volkswagen Amarok voltou repaginada, a Ford Ranger tem novas versões. A Chevrolet S10 segura seu espaço no mercado mais popular do segmento.

A Ram tem uma vantagem que poucas marcas têm: credibilidade imediata em picapes. O nome Ram, no Brasil, virou sinônimo de potência, acabamento e confiabilidade no segmento pesado. Trazer esse prestígio para o médio, com preço competitivo, é um argumento de marketing que não precisa de campanha elaborada — o nome carrega o trabalho sozinho.

As reservas estão abertas nas concessionárias. O carro vem da Argentina, onde é produzido. Para quem precisava de uma justificativa para entrar no mundo das picapes médias sem pagar o preço de uma versão topo de linha, a Big Horn chegou com timing adequado e proposta honesta.

Uma picape de R$ 249.990 que não parece de R$ 249.990 por dentro. Isso, no Brasil de 2026, é mais raro do que parece.

Leia a materia completa na fonte original:

Ver no AutoCidade Editorial

Compartilhar