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Ford muda estratégia e negocia usar baterias da BYD em carros híbridos

Ford muda estratégia e negocia usar baterias da BYD em carros híbridos

A Ford está em negociações avançadas com a BYD para o fornecimento de baterias automotivas. Segundo informações do Wall Street Journal, o acordo prevê que a fabricante chinesa abasteça a produção de híbridos da Ford e outros modelos eletrificados fabricados fora dos Estados Unidos.

O movimento confirma uma mudança de rota da marca americana. Diante da perspectiva de uma queda na demanda global por elétricos puros, a Ford vem redirecionando seus investimentos para ampliar a oferta de veículos híbridos convencionais (HEV) e híbridos plug-in (PHEV).

Fernando Pires/Quatro Rodas

A parceria tem um caráter pragmático e atende a uma necessidade técnica imediata. Enquanto a Ford ajusta suas linhas de montagem e absorve um impacto estimado em US$ 19,5 bilhões relacionado à reestruturação de sua divisão de veículos elétricos, a BYD oferece escala industrial e tecnologia já disponível.

A fabricante chinesa, que gerou apreensão na indústria automotiva americana pela capacidade de produzir veículos tecnológicos a custos reduzidos, mantém uma divisão de baterias consolidada. Em 2025, os envios globais de baterias da BYD cresceram 47%, alcançando 286 GWh.

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O acordo em discussão envolve a importação de células de bateria da BYD para fábricas da Ford na Europa, na Ásia e, potencialmente, na América do Sul. Essa tecnologia deve equipar a próxima geração de SUVs e picapes híbridas da marca.

Embora os detalhes técnicos das células — como densidade energética ou composição química específica — não tenham sido divulgados, a BYD é líder global na produção das baterias Blade, do tipo LFP, conhecidas pela maior durabilidade e pelo custo mais competitivo.

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Para o mercado norte-americano, a estratégia segue outro caminho. A Ford mantém a construção de uma fábrica no estado de Michigan, que utilizará tecnologia da também chinesa CATL, com foco em células de menor custo destinadas a uma futura picape elétrica de entrada, com preço estimado em cerca de US$ 30.000.

As negociações ocorrem em um contexto de tensão comercial. Peter Navarro, conselheiro comercial do presidente Donald Trump, criticou a aproximação entre as empresas em uma publicação na rede social X, ao citar riscos para a cadeia de suprimentos dos Estados Unidos.

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Apesar das barreiras tarifárias que impedem a importação de carros chineses para o mercado americano, as montadoras locais seguem dependentes da cadeia asiática. A própria Ford já utiliza baterias da BYD em veículos produzidos desde 2020 por meio de sua joint-venture com a Changan, na China.

Jim Farley, CEO da Ford, reforçou durante o Salão de Detroit que o objetivo da empresa é “dar escolha aos americanos”. A declaração indica que a hibridização em larga escala é vista como a resposta mais imediata para ganhar participação de mercado e cumprir a meta de ter 50% das vendas globais compostas por veículos eletrificados até 2030.

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